Santos Olípio e Possídio

Alípio e Possídio são dois nomes intimamente ligados ao de Aurélio Agostinho, como religiosos e como bispos. Eles são os dois melhores representantes da herança monástica de Santo Agostinho.

Toda a vida – desde jovens até a maturidade – buscando a Verdade: Deus!

 

 

 

 

Santo Alípio e São Possídio quase não aparecem na História. Eles estão como que ofuscados pelo esplendor do grande doutor e batalhador da Igreja, Santo Agostinho.

Ambos são contemporâneos e procedem do mesmo lugar, a África romana, ou seja, a faixa no norte do continente africano que os romanos haviam conquistado, impondo sua cultura e modo de vida.

Alípio e Possídio serão as mãos de Santo Agostinho em seus trabalhos mais árduos e comprometidos. Quem nos fornece os dados sobre estes dois personagens é o próprio Agostinho. O relacionamento entre eles era muito profundo e ia além das responsabilidades com o povo de Deus.

Alípio nasceu em Tagaste (hoje Souk Ahras, na atual Argélia), uma cidade na província romana da Numídia, no norte da África. Ele conheceu Agostinho quando este foi seu professor. Pertencente a uma família aristocrática e rica, pôde ter uma formação marcante.

Alípio e Agostinho, depois que se conheceram na escola em Cartago, iniciaram uma amizade que os acompanharia por toda a vida. Eles se tornaram companheiros e amigos desde a juventude até a hora que a morte os separou.

Agostinho conseguiu livrar seu amigo Alípio de um gosto verdadeiramente macabro que ele tinha com as tentações dos jogos violentos das arenas e o encaminhou para o precioso tesouro de uma vida correta.

Com Santo Agostinho Alípio partilhou os erros da juventude, a conversão, a vida religiosa nas comunidades monacais e as fadigas do apostolado. Agostinho o chama: irmão de meu coração.

Santo Agostinho descreve-o como uma pessoa sensível, de índole religiosa, de grande inteireza e imparcialidade por seu amor à justiça. Alípio lutou contra corrupções e injustiças, até o ponto de enfrentar-se com alguns senadores e quase ser perseguido por eles.

Depois de ter estudado Direito em Roma, Alípio se tornou um profissional muito exigente no cumprimento de seu dever. Mais tarde ele renunciou ao seu ofício para poder ir para Milão e dedicar-se ao projeto de formar uma comunidade monacal junto com Agostinho e alguns amigos de ambos.

Alípio e Agostinho lutaram juntos em busca da verdade. Juntos eles se converteram e juntos foram batizados por Santo Ambrósio, bispo de Milão. Depois de batizados, os amigos retornaram à África onde Alípio ajudou Agostinho a estabelecer o primeiro mosteiro no norte da África, na cidade natal deles: Tagaste.

Quando Agostinho foi, mais tarde, eleito sacerdote em Hipona, Alípio mudou com ele e tornou-se membro da primeira comunidade monástica que Agostinho lá fundou.

Em 394 Alípio é sagrado bispo de Tagaste. Alípio foi escolhido bispo de sua cidade natal em torno de 394, antes mesmo que Santo Agostinho fosse nomeado bispo de Hipona.

Seguiu os passos do amigo Agostinho também quando, já bispo, defendeu os valores Católicos – tão ameaçados na época – e se tornou o sucessor de Agostinho na responsabilidade pela comunidade de Tagaste.

Ele chegou a viajar para o oriente para resolver certas dificuldades e lá conviveu com São Jerônimo.

Alípio morreu, provavelmente, em 430, no mesmo ano que Santo Agostinho faleceu.

O relacionamento de Possídio com Santo Agostinho parece ter começado nos primeiros tempos da fundação do mosteiro de homens em Hipona, onde Possídio abraçou a vida de comunidade.

Discípulo de Agostinho, também chegaria ao episcopado. Eles se conheceram, provavelmente, por volta de 391.

Possídio foi o primeiro biógrafo de Santo Agostinho e declara em sua obra que:“vivi com ele em suave familiaridade durante quase 40 anos.”

Seus escritos, especialmente seu Vita Augustini (autorizada por Agostinho) e Indiculus são obras fundamentais para conhecer Agostinho:

Vita Augustini (Vida de Agostinho) é a primeira biografia escrita sobre Santo Agostinho e Indiculus( Índice) é um uma lista de todas as obras escritas pelo amigo.

Ele classifica os escritos de Agostinho em obras, epístolas e sermões. Ele conhecia muito bem a biblioteca de Agostinho em Hipona e sempre esteve muito próximo dele. Próximo também no coração, já que Possídio apoiava Agostinho em todas as dificuldades.

Foi nomeado bispo de Calama (hoje, Guelma, na Argélia), por volta de 397. Ele imediatamente organizou sua própria comunidade de sacerdotes centrada na Catedral nos moldes da comunidade de Santo Agostinho. Isto é, ele estabeleceu um mosteiro em Calama.

Calama estava infestada de facções contrárias ao Catolicismo. Para defender a vida eclesiástica viajou duas vezes à Itália. Precisou defender sua vida, também. Em 408 ele quase perdeu a vida num distúrbio que os pagãos levantaram em Calama. Em 409 ele foi um dos 4 bispos que foram à Itália para obter proteção do imperador.

Com Agostinho e Alípio, participou dos concílios da África. Entre os seis escolhidos por 266 bispos Católicos para participarem numa famosa conferência de católicos e seus opositores, os três estavam presentes. O Concílio foi em Cartago (hoje, Túnis, na Tunísia) no ano 411.

Quando Calama foi invadida e saqueada e caiu nas mãos dos inimigos, Possídio foi se refugiar com Santo Agostinho em Hipona. E, quando Agostinho estava doente, com febre e já esperando a morte, Possidio estava a seu lado.

Pouco depois os bispos católicos foram expulsos do norte da África e exilados. Possídio foi um deles.

As datas precisas de seu nascimento e de sua morte são desconhecidas. Possídio morreu por volta de 437.

A grandeza destes dois santos e bispos extraordinários é reconhecida pela Igreja que os celebra juntos, no mesmo dia: 16 de maio. Atitude justificável, não só por terem eles muito em comum, mas também por terem passado suas existências vivenciando o ideal de Santo Agostinho:

Uma só alma e um só coração dirigidos para Deus.

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