Oficina de Oração Maio 2018

Necessitamos escutar Jesus vivo no mais íntimo e nosso ser. Necessitamos escutar a sua Boa Nova, não desde fora, mas desde dentro. Deixar que as suas palavras descendam das nossa cabeças até o coração. A nossa fé seria mais forte, mais contagiosa.

 

 

 

ESCUTAR: “EIS O CORDEIRO DE DEUS”

Para João Batista, o cumprimento de sua missão implica, a perda de seus discípulos, por isso está à altura de sua vocação: É preciso que ele cresça e que eu diminua” (Jo.3,30). De fato, ele “não era a luz, mas aquele que devia dar testemunho da luz” (Jo.1,8) João Batista é um mestre que sabe reconhecer o verdadeiro mestre, não retém os discípulos para si, sabe desprender-se porque conhece quem é o verdadeiramente importante.

O testemunho de João Batista conduz até Jesus dois de seus discípulos: “Os dois discípulos ouviram essa declaração de João e passaram a seguir Jesus Jo.1,37).

Aqui aparecem dois verbos: “ouvir”(escutar) e “seguir”. A escuta do discípulo é importante, mas o seguimento é decisivo. Santo Agostinho observa: “Ouviram João e seguiram Jesus”

Necessitamos escutar Jesus vivo no mais íntimo e nosso ser. Necessitamos escutar a sua Boa Nova, não desde fora, mas desde dentro. Deixar que as suas palavras descendam das nossa cabeças até o coração. A nossa fé seria mais forte, mais contagiosa.

Os cristãos de hoje, necessitamos urgentemente de “interiorizar” a nossa religião se queremos reavivar a nossa fé. Não basta ouvir (escutar) o Evangelho de forma distraída, rotineira, sem desejo algum de escutar. Não basta tampouco uma escuta inteligente, preocupada em só entender.

Os cristãos de hoje, necessitamos urgentemente de “interiorizar” a nossa religião se queremos reavivar a nossa fé. Não basta ouvir o Evangelho de forma distraída, rotineira e gasta, sem desejo algum de escutar. Não basta tampouco uma escuta inteligente preocupada só em entender.

Necessitamos escutar Jesus vivo no mais íntimo do nosso ser. Todos, predicadores e povo fiel, teólogos e leitores, necessitamos escutar a Sua Boa Nova de Deus, não desde fora, mas desde dentro. Deixar que as suas palavras descendessem das nossas cabeças até ao coração. A nossa fé seria mais forte, mais satisfatória, mais contagiosa. Mas, não apenas escutar o que ele diz, e sim, interpretar o que ele quer nos dizer. Entender o significado para agir corretamente.

VER: “Vinde e vede”

Os discípulos, respondendo a pergunta de Jesus, deixam claro o que estavam buscando: o Messias. Mas, ainda mais interessante que a forma como Jesus os aborda é a forma como Jesus responde ao anseio dos mesmos: vinde e vede.

Novamente, uma fala que ecoa até nossos tempos.

Você já sabe o que Jesus pode te proporcionar? Por que não experimentar. Há pessoas que nem tinham convicção de que Deus existisse, mas resolveram experimentar. No início o seguimento de Jesus não é decisivo. Começa-se por ver

Jesus e suas realidades. Você não precisa acreditar firmemente, ou ter um coração super bom, ou qualquer outra coisa, precisa apenas de dar o primeiro passo.

Experimente! Vá e vede! Sempre terá algo a mais que você não viu. Não adianta. Ele é eterno e infinito, nós somos apenas mortais e finitos. Então, eu te pergunto: o que está faltando na sua relação com Deus? O que está faltando é mudar o caráter, os hábitos, a sua vida? Quase sempre, a vida cristã é dura e difícil, mas não desanime: vá e veja.

Agostinho disse: “Quereis não sentir já temor algum? Pedi a única coisa; a única coisa que pede quem nada teme, ou que. Pede alguém para já não temer coisa alguma? Uma só coisa, diz, pedi ao Senhor e essa buscarei. É o que buscam aqueles que seguem a via do bem”.

A palavra de Jesus, vinde e vede, contém o essencial do encontro. Trata-se de um convite (vinde) e de uma promessa importante (vede). Todo aponta para um encontro pessoal e vivo com o Mestre. Jesus não lhes entrega um livro com doutrinas e normas, para que sejam bons discípulos, mas os chama para que vejam como ele é: quem é, o que pensa, como fala etc. Não é ver somente o seu físico, mas adentrar-se na sua alma

Diz Agostinho: “Ele lhes mostrou onde morava; e eles vieram e estiveram com ele. Que feliz passaram, que feliz noite! Quem há que nos diga o que terão ouvido eles do Senhor?”

ENCONTRAR JESUS

O homem novo em Jesus Cristo não é aquele que foi salvo por Jesus, pois a salvação é para todos. Mas é aquele que o encontrar com Jesus, se reconhece fraco e que depende de Jesus. O homem novo em Jesus é aquele que não deixa de sentir os impulsos da carne, mas passa por isso, e vai em busca das coisas de Deus, pois, sabe que precisa de algo que o mantenha vivo e com sentido da vida.

O homem novo não elimina o homem velho, mas o enfraquece. A questão é que o velho é mais experiente nas coisas do mundo em que vivemos, se tratando dos prazeres mundanos, e por isso grita dentro de nós, enquanto que o novo fala baixinho.

A pessoa humana possui o desejo, a consciência e a liberdade.

O desejo seria a concupiscência.

A consciência seria a vontade. A liberdade seria a ação.

A concupiscência deseja algo, a consciência sabe o que é bom e o que não é, a liberdade seria a ação, feita para ambos os lados: o bem e o mal.

O ponto do encontro com Jesus nos lava a uma verdadeira contrição e um real desejo de mudança de vida nova em Jesus. Mas o que seria esse encontro com Jesus.

O Evangelho traz inúmeros encontros pessoais com Jesus: os dois discípulos deJoão, Zaqueu, Bartimeu, a Samaritana, Madalena etc. Todos estes encontros aconteceram só por causa de um reconhecimento do poder de Jesus, da dependência de Deus, pois, eram fracos.

O próprio Paulo, de perseguidor se transformou em defensor de Jesus.

O nosso homem novo precisa ser fortalecido com os encontros pessoais que nós temos, através da oração, escuta da Palavra de Deus, recepção da Eucaristia, e o sacramento da Confissão.

PERMANECER EM JESUS

“Permaneceram com ele aquele dia”. Encontramos o verbo ménein, o mesmo que, se repete constantemente na parábola da videira verdadeira (Jo.15,1-17).

Para ter vida, o ramo tem de permanecer unido à videira. A expressão tem ainda uma tríplice referencial: permanecer num lugar em que se está presente de forma continua, permanecer no tempo, e permanecer como viver continuamente.

Finalmente, a indicação temporal da cena: “a hora décima”. Segundo a nossa contagem das horas, às quatro da tarde. Ainda era dia, mas a noite já se aproximava e era necessário preparar-se, para enfrentar a noite e tudo o que ela traz consigo.

Recorde-se a expressão dos discípulos de Emaús: “Fica conosco, porque já é tarde e o dia declina”. O texto sugere uma noite referente a uma experiência, que marca certa permanência pessoal de tempo e lugar.

É surpreendente que tantos elementos se encontrem num relato tão breve. Que estas linhas indicadoras nos ajudem a aprofundar.

Os discípulos ouvem falar de Jesus. Jesus passa sutilmente, mas se manifesta e convida

Segui-lo implica dar uma resposta.

Em suma, permanecer com Jesus é uma forma concreta de segui-lo, porque não se pode ter o conhecimento de Jesus à distância, mas somente em comunhão com ele.

Muitas vezes, Senhor, à hora décima,

No sossego após o almoço,

Eu lembro que em tal hora, ao encontro saístes

De João e de André.

EXERCÍCIO DE MEDITAÇÃO

Exercício de imaginação. Texto: Lucas 19,1-10

“E, tendo Jesus entrado em Jericó, ia passando. E eis que havia ali um homem chamado Zaqueu,· e era este um chefe dos publicano~ e era rico. E procurava ver quem era Jesus e não podia, por causa da multidão, pois era de pequena estatura.

E, correndo adiante, subiu a uma figueira brava para o ver; porque havia de passar por ali. E quando Jesus chegou àquele lugar; olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa. E, apressando-se, desceu, e recebeu-o alegremente. E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador. E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado. E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”

PISTAS PARA E REFLEXÃO

– De que maneira você escutou o chamado de Deus?

– Você escuta o que Jesus diz ou interpreta o que ele quer dizer?

– Você vive a Fé de uma forma interioriza e reavivada.

– Em que momentos você vê Jesus?

– Que significa para você “estar com Jesus.”

– Como você busca a Deus?

– Você “permanece” com Jesus?

– O que Jesus te ensinou nessa permanência?

– Lembra-te de algum encontro importante que você teve com Deus.

– Medita no encontro de Zaqueu com Jesus.

– Você se identifica com Zaqueu? Por que?

CONCLUINDO A ORAÇÃO

– Os que desejarem, podem fazer uma BREVE ORAÇÃO em voz alta.

– Os que desejarem podem elevar a Deus uma BREVE JACULATÓRIA.

BENCÃO E DESPEDIDA

– Reza-se: Orando com Santo Agostinho.

– Formando um círculo, de mãos das reza-se o PAI-NOSSO.

– O sacerdote dá a bênção

ORANDO COM SANTO AGOSTINHO

 Grande és tu, Senhor,

E sumamente louvável:

Grande é tua força,

E tua sabedoria não tem limite.

E quer louvar-te o homem,

Esta parcela de tua criação;

O homem carregado com sua

Condição mortal,

Carregado com o testemunho

Do seu pecado

E com testemunho

De que resistes aos soberbos.

Mesmo assim

Quer louvar-te o homem,

Esta parcela de tua criação.

Tu o incitas para que

Sinta o prazerem louvar-te;

Fizeste-nos parati,

E inquieto está

O nosso coração.

Enquanto não repousar em ti

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