Oficina de Oração Agosto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

O discípulo amado adquire sua própria identidade a vai-se configurando como tal, na relação próxima e amorosa com o Mestre. Ser discípulo significa aprender e deixar-se modelar:

“São chamados discípulos seus todos os que d’ele aprendiam o referente à vida eterna”

Ser amado implica ter profunda experiência de um amor que transforma, configura, impulsiona e enche de alegria. Um amor que não só se conhece de ouvir falar ou em teoria, como acontecia com Jó, que não tivera experiência de Deus, mas um amor de que se tem uma profunda vivência, e que faz com que a vida do fiel se vá transformando numa longa história de amor.

Nessa história existe uma profunda memória afetiva a que o fiel pode voltar continuamente, sobretudo, nos momentos de tribulação e de escuridão, como observa Agostinho ao comentar o salmo 41, 9.

“Quando alguém passa pela tribulação, deve ser-lhe de proveito o que ouviu na tranquilidade. De fato, na prosperidade, o Senhor te dispensa sua misericórdia se o serves com fidelidade, porque da tribulação te liberta. Mas no te declara essa misericórdia que te dispensou durante o dia, a não ser ao longo da noite. Quando a tribulação sobrevier, ela então não te faltará como auxilio”.

JUDAS RETIRA-SE DA COMUNIDADE

A saída de Judas da sala é ressaltada por uma observação do evangelista: “Era noite”. A indicação é negativa e alude ao ambiente espiritual em que se move aquele discípulo dissidente, que se põe a serviço do poder das trevas.

 Já desde o lava-pés, Jesus dissera que nem todos estavam limpos, aludindo a quem o iria entregar. Agora enquanto a refeição prossegue, nem todo era familiaridade naquela sala: ali estava Judas, pronto para a traição. Jesus, então, expõe abertamente o delicado tema. Jesus, que se sentira profundamente comovido quando da morte de Lázaro, também se comove ante a perspectiva quase imediata da própria morte: “Ficou interiormente” (13,21). Jesus sabe tudo, tem controle sobre tudo o que ocorre e, mesmo assim, não foge ante a dolorosa situação pessoal: o terror da morte, que já se intui próxima.

NO ENTANTO, O DISCÍPULO AMADO ESTÁ RECLINADO …

O discípulo amado não pode permanecer senão em Cristo. Por isso, o evangelho de São João nos retrata a discípulo amado, durante a última ceia, reclinado sobre o seio de Jesus.

“Deus, de quem não se pode separar sem cair, a quem não se retorna, sem se reerguer; permanecer em ti é ter sólido apoio, afastar-se de ti é morrer, retornar a ti é reviver, habitar em ti é viver” (Sol.1,1,3).

É verdade que nas nossas modernas traduções nos dizem que o discípulo amado estava “ao lado de Jesus”, ou então,” reclinado no peito de Jesus” e utilizam a mesma palavra, quando o discípulo amado, em atenção aos gestos que lhe fizera São Pedro, pergunta a Cristo quem o iria trair.

Se nós detivermos, porém, a considerar a versão grega do quarto Evangelho, perceberemos que o

Evangelista usa duas palavras diferentes, cada uma das quais com um matiz particular.

Num primeiro momento, durante a ceia, antes que Jesus se perturbasse e revelasse o fato, o evangelista utiliza a palavra grega kó/pos, que significa, simplesmente, o seio de Cristo.

O DISCÍPULOS AMADO “PERMANECE” (MÉNEJN)

Não se trata de urna permanência passiva, ao contrário, uma permanência ativa, de intimidade, de oração. Não é sentimentalismo, auto complacência ou mera devoção. Permanecer em Cristo, permanecer reclinado no seu seio significa saber que há uma exigência de dar fruto, como os ramos que só podem dar fruto se estão unidos à videira verdadeira que é Cristo.

“SEM TI NADA, EM TI TUDO” (En. Salmos 30,2)

O discípulo amado que permanece no seio de Jesus é aquele que sabe que, por meio da oração e de sua vida de piedade, ratifica seu amor e pode beber da fonte do seio de Jesus, o que deve depois compartilhar com seus irmãos.

“Quem disse essas coisas, recebeu-as aquele João, irmãos, que se reclinava sobre o peito do Senhor, e do peito do Senhor bebia o que havia para nos alimentar”

O discípulo amado sabe que, na oração e na permanência com o Mestre, pode encher-se de seu amor e de sua graça para poder enfrentar as diversas circunstâncias da vida.

Pois não somos fontes, mas tão somente cântaros que se devem encher na presença de Deus. Se não

nos enchermos junto à fonte de água viva que é Cristo, nossa vida ficará vazia e nada poderemos compartilhar com os irmãos.

Na atualidade, não podemos desprezar a importância dessa realidade. Só na união com Cristo, só permanecendo nele e dedicando tempos específicos para uma maior intimidade, na oração e na vida sacramental, é que poderemos vencer as dificuldades de nossa vida e realizar a vontade de Deus.

COM O MESTRE PODEMOS TUDO

Agostinho, refletindo nas palavras de Jesus: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo.15,5), nos convida, antes de tudo, à prática da humildade, característica fundamental do discípulo amado:

“Senhor, se nada podemos sem ti, em ti podemos tudo. Com efeito, tudo o que ele faz por meio de nós, nós parecemos fazer. Sem nós, ele pode muito, e até mesmo tudo; nós nada podemos sem ele”.

Trata-se de uma frase que deveríamos repetir em muitas ocasiões, não só para dar-nos conta de nossa própria pequenez e pobreza, mas também para eliminarmos os medos que nos paralisam e que nos impedem de cumprir a vontade de Deus. É toda uma vida espiritual, um permanecer no seio de Jesus, que nos deve levar a confiar absolutamente em Deus, de tal maneira que lhe pertençamos e já não temamos a quem quer que seja fora de Deus. Deus é nossa luz e nossa salvação (Salmo 26,1), quem permanece em Deus, permanece em sua luz e nada tem a temer.

“Se, pois, é ele que ilumina e nós somos Iluminados, se ele que nos salva e nós somos salvos, à margem dele somos trevas e debilidade. Tendo nele, porém, uma esperança certa, Inalterável e verdadeira, a quem vamos temer? O Senhor é tua luz, o Senhor é tua salvação. Acha alguém mais poderoso e teme-o. Pertenço ao mais poderoso de todos. Ao Todo-poderoso, de modo que ele me ilumina e me salva, e a ninguém temo fora dele. O Senhor é a proteção da minha vida, perante quem eu tremerei”

O PEITO DE CRISTO É O HABITAT DO FIEL

Se o seio de Jesus, em que o discípulo amado se achava reclinado durante uma parte da última ceia, é o habitat em que o fiel deve viver sempre, dedicando tempos para estar com o Mestre, tempos em que se deixa tudo de lado para orar, como nos recorda Agostinho, há um lugar a que o discípulo deve passar quando chegam os momentos difíceis da tribulação.

Santo Agostinho faz uma interessante interpretação desse movimento espiritual para recordar-nos que, quando chegar a tribulação, esse é o momento em que somente a intimidade com o Mestre nos pode dar força e luz:

 

“Ele, então, reclinando-se sobre o peito de Jesus, eis, sem dúvida, o recôndito do peito, o segredo da sabedoria”.

 

EXERCÍCIO DE MEDITAÇÃO

Exercício de Imaginação. Texto

Jo. 13, 21-29

“Depois de dizer isso, Jesus ficou interiormente perturbado e testemunhou: ‘ verdade, em verdade vos digo que um de vós me entregará’. Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem estava falando. Bem ao lado de Jesus, estava reclinado um dos seus discípulos, aquele que Jesus amava. Simão Pedro acenou para que perguntasse de quem ele estava falando. O discípulo, então, recostando-se sobre o peito de Jesus, perguntou: ‘Senhor, quem é’. Jesus respondeu: ‘É aquele a quem eu der um bocado passado no molho’. Então, Jesus molhou um bocado e deu a Judas, filho de Simão lscariotes. Depois do bocado, Satanás entrou em Judas. Jesus, então, lhe disse: ‘O que tens a fazer, faze logo’. Mas nenhum dos presentes entendeu por que ele falou isso. Como Judas guardava a bolsa, alguns pensavam que Jesus estava dizendo: ‘Compra o que precisamos para a festa’ ou que desse alguma coisa para os pobres”.

PISTAS PARA A REFLEXÃO

– Reflete o que significa “aprender” do Mestre.

– Interpreta as palavras de Agostinho: “Quando alguém passa pela tribulação, deve ser-lhe de proveito o que ouviu     na tranquilidade”.

– Quando é “de noite” na tua alma?

– Quando você se reclina no peito de Jesus?

– Que significado tem para você permanecer em Cristo?

– Reflete que grau de intimidade você tem com Jesus, através da oração?

– Você tem tempos específicos para orar?

– Interpreta o que significa para você: “Sem mim nada podeis fazer”

– O que você faz nos momentos de tribulação?

 

CONCLUINDO A ORAÇÃO

– Os que desejarem, podem fazer uma BREVE ORAÇÃO em voz alta.

– Os que desejarem podem elevar a Deus uma BREVE JACULATÓRIA.

 

BÊNÇÃO E DESPEDIDA

– Reza-se: Orando com Santo Agostinho.

– Formando um círculo, de mãos dadas, reza-se o PAINOSSO.

– O sacerdote dá a bênção.

 

ORANDO COM SANTO AGOSTINHO

Feliz aquele que te ama,

E que, por teu amor,

Ama o amigo e o inimigo!

Somente não perde

Nenhum ente querido

Aquele para quem

Todos são queridos,

Naquele que nunca perdemos.

E que é este

Senão o nosso Deus,

O Deus que criou céu e terra/

E que lhes confere plenitude,

Pois foi dando-lhes

Plenitude que os fez?

Somente quem te abandona

Pode perder-te.

Mas aonde irá ao abandonar-te?

Para onde fugirá,

Senão para longe

De tua bondade

E para perto da tua cólera?

Onde poderia ele,

No seu castigo,

Não encontrar a tua lei?

E a tua lei é a verdade,

E a verdade és tu.

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