Santa Mônica e o Poder da Oração das Mães

A força de uma mulher de fé que quer manter sua família no caminho de Deus é indestrutível. Nem o tempo é capaz de fazê-la desistir. Este é o testemunho de vida que Santa Mônica deu para a humanidade. O testemunho da mulher forte, da mulher de fé inabalável, da mulher que ama de verdade, da mulher que persevera até o fim

No dia 27 de agosto a Igreja celebra a festa de Santa Mônica. No dia seguinte, 28 de agosto, é a festa de Santo Agostinho. E isso não é à toa. Santo Agostinho é filho de Santa Mônica. Mãe e filho santos. E se o filho se tornou santo, foi graças à oração e às lágrimas de sua mãe. Foi graças à santidade de sua mãe. A história de vida desses dois é maravilhosa e inspiradora.

Mônica nasceu no ano 331 na cidade de Tagaste, atualmente Sukh Ahras, Argélia, Norte da África. Filha de família nobre, recebeu educação cristã de sua babá. Seu pai conseguiu lhe um casamento arranjado e  ela se casou aos 17 anos com um nobre chamado Patricio, bem mais velho, com 40 anos. E, além de mais velho, Patrício era violento e mulherengo, o que fez Mônica sofrer durante muitos anos.

O casal teve três filhos: Agostinho, Navígio e Perpétua. O mau exemplo do pai foi absorvido pelo filho mais velho, Agostinho. Este também se perdeu, abandonando os ensinamentos da mãe. Por isso, Mônica passou a sofrer duplamente. Por um lado, o marido. Por outro, o filho. Ambos longe de Deus, ambos dando inúmeros motivos para Mônica desanimar e abandonar a fé.

Mônica, porém, não desistiu. Não lhe faltaram os “conselhos” de amigos e parentes para que ela abandonasse o marido e voltasse para a casa dos pais. Mas ela não cedeu. Ao contrário, rezava incessantemente pela conversão dos dois. Perseverava na prática do catolicismo fervoroso, na oração e nas obras de caridade, sempre ajudando aos mais necessitados.

As graças, porém, demoraram a acontecer. Foi somente depois de quase 19 anos de casada que seu marido finalmente se converteu e recebeu o batismo.  Mas, nesse ponto, Agostinho não quis seguir o pai. Mônica viveu feliz com seu marido pouco menos de um ano, pois este faleceu no mesmo ano em que se converteu. A ela restou o consolo de saber que Patrício falecera na graça de Deus. Mas seus sofrimentos ainda estavam longe de terminar.

Logo que Patrício faleceu, Agostinho saiu de casa e foi estudar filosofia e retórica na cidade de Cartago. Lá, com apenas 17 anos, começou uma vida mundana. Ao ter notícias do filho, a decepção de Mônica só aumentava. A situação chegou a tal ponto que ela chegou a proibir o filho de entrar em casa. E ela só o aceitou de volta, depois de algumas revelações que teve quando estava rezando pelo filho. Com efeito, ela sentiu em seu coração que, no futuro, Agostinho iria se converter.

Assim, sabendo que a esperança não decepciona, ela começou um novo tempo de oração em sua vida. Mas Agostinho continuava longe de Deus. Envolveu-se com uma moça e teve um filho com ela. Este filho se chamou Adeodato. Mônica, movida pela fé e pela esperança, acolheu os dois e perseverou na oração pelo filho durante 30 anos, sem desanimar. Certa vez, chorando sua dor ao bispo de Tagaste, este disse a ela uma palavra que serve para todas as mães que choram por filhos “perdidos”. O bispo lhe disse: “O coração de teu filho não está ainda preparado, mas Deus determinará o momento certo. Vai e continua a rezar: é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas”.

Movida por esta palavra, ela perseverou firme. Finalmente, Agostinho se converteu e, junto com ele, o filho Adeodato, neto de Santa Mônica. E a conversão de A foi tão verdadeira que, mais tarde, ele se tornou bispo aclamado pelos fiéis e um dos mais importantes e influentes pensadores do cristianismo e da humanidade.

Mas Santa Mônica e Santo Agostinho tiveram pouco tempo para “curtirem” um ao outro nesta terra. Pouco tempo depois da conversão do filho e vendo quão profunda tinha sido esta conversão, Santa Mônica disse ao filho: “Vendo-te hoje cristão Católico, nada mais me resta fazer neste mundo” ela já estava pressentindo sua morte. De fato, logo depois ela contraiu uma grave enfermidade e veio a falecer aos 56 anos.

Mais tarde Santo Agostinho dirá em seus escritos maravilhosos quão grande era a saudade e a falta que ele sentia das conversas que tinha com sua mãe depois de sua conversão. Eram conversas reveladoras, profundas. Palavras de uma mãe que conhece seu filho mais do que ele mesmo. Palavras que o fizeram crescer e se afirmar na fé. Conversas consoladoras que, mesmo muito tempo depois do falecimento da mãe, ainda aqueciam o coração do filho. Conversas de uma santa que o firmou no caminho da santidade.

Santo Agostinho recebeu outro golpe: seu filho Adeodato faleceu por causa de uma doença. Então ele passou a se dedicar mais ainda ao serviço dos irmãos e ao ministério episcopal para o qual Deus o chamara tão claramente através do povo.

Seu ministério foi fecundo e precioso. Fiéis vinham de longe para ouvir as palavras de sabedoria proferidas pelo homem que conheceu o mundo, mas depois, conheceu o Criador do mundo. Santo Agostinho tem uma mensagem importante para a humanidade pelo simples fato de ele ter sido um devasso e depois um convertido. Ele conheceu a fraqueza humana, mas conheceu também o amor de Deus. Ele conheceu os devaneios do pensamento humano e, durante anos, se aprofundou em filosofias que, mais tarde, se revelaram vazias e enganadoras. Então, ele conheceu a verdade. A verdade de Jesus Cristo. E a Verdade foi tão brilhante que ele dirá em seus escritos: “Tarde te amei, beleza infinita! Tarde te amei!”

Por causa de sua obra e de sua pregação Santo Agostinho foi declarado Doutor da Igreja. Sua obra influenciou e influencia até o hoje o cristianismo em todas as suas vertentes, o catolicismo e todo o pensamento do Ocidente. Em seu livro autobiográfico intitulado “Confissões”, ele relata todo o seu trajeto intelectual e espiritual da devassidão à busca pela verdade e do encontro com ela. Um grande santo, fruto do amor de Deus e da oração incessante de sua mãe. Mães, vale a pena rezar por seus filhos.

27 e 28 de agosto. Santa Mônica e Santo Agostinho. Mãe e filho santos. Que essa história maravilhosa nos sirva de inspiração. Santa Mônica nos ensina que a oração e a perseverança são virtudes que conquistam o impossível. E Santo Agostinho nos ensina que a busca sincera pela verdade, nos conduz a Jesus Cristo, o Filho de Deus, aquele que disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

This blog is kept spam free by WP-SpamFree.