Santa Madalena de Nagasaki

Padroeira da Fraternidade Agostiniana Recoleta

Agostiniana Recoleta Terciária, Madalena foi uma dentre os muitos mártires do Japão no século XVII.

Cristã entusiasta, ela conheceu os frades agostinianos recoletos em 1623, atuou como intérprete para eles e, mais tarde, foi também catequista.

Durante o período de perseguição aos cristãos ela sustentou a fé de muitos novos convertidos

 

 

Localizado no extremo oriente, o Japão recebia a visita dos missionários depois destes viajarem por mais de 4 meses, sem o conforto dos dias atuais e com muitos perigos pela frente. Hoje os freis e freiras recoletos estão presentes nas Filipinas, China e Taiwan.

Madalena nasceu em um pequeno povoado perto de Nagasaki, no Japão, entre os anos 1610 e 1612. Filha de família rica e nobre, tinha vários irmãos. Seus pais eram ricos sobretudo de virtudes cristãs. Desde cedo ela recebeu esmerada educação. Sua infância, contudo, coincidiu com um período de cruéis perseguições contra os cristãos.

O ditador Tokugawa Yeyasu, budista, decretou, em 1614, uma perseguição total contra os cristãos. Com seus sucessores Hidetada e Yemitsu essa perseguição tornou-se ainda mais virulenta e cruel, a ponto de, em poucos anos, quase exterminar a cristandade do Japão.

Madalena foi certamente testemunha da morte de muitos cristãos e ouviu os terríveis suplícios a que eram submetidos. Provavelmente lera o livro “Exortação ao martírio” que circulava clandestinamente entre os cristãos. Neste livro davam-se conselhos para resistir a ira dos tiranos e eram lembrados os exemplos até de crianças frágeis, além de jovens, homens e mulheres que sofreram com paciência os mais terríveis suplícios por causa da sua fé em Jesus Cristo, recebendo assim a glória do martírio.

A oração, a leitura dos livros sagrados e o exemplo de tantos mártires, compatriotas seus, foram fortalecendo o ânimo de Madalena fazendo nascer em sua alma o desejo ardente de consagrar-se a Deus e dar a vida por Cristo.

Madalena dedicava muitas horas à penitência, à oração e à meditação da paixão de Cristo e da glória dos santos no céu. Quando ainda era muito jovem viu levarem seus próprios pais e irmãos ao martírio. Foi quando decidiu consagrar-se totalmente a Deus.

Por esse tempo haviam acabado de chegar a Nagasaki dois zelosos missionários agostinianos: Frei Francisco de Jesus e Frei Vicente de Santo Antônio. Ambos criaram a Ordem Terceira Agostiniana Recoleta para ajudá-los no apostolado. Formada de leigos, a Ordem Terceira (hoje denominada Fraternidade Secular) ficou encarregada da catequese.

Madalena foi uma das primeiras a entrar na Ordem Terceira. Começou seu ministério com tanto carinho e disposição que foram inumeráveis os pagãos que se converteram ao cristianismo. Ela consolava os aflitos, animava os fracos, fortalecia os que fraquejavam por causa das perseguições e apoiava os corajosos e esforçados. Muitíssimo eram os que acorriam a ela buscando orientações que ela concedia com fé e amor.

Em 1928 a perseguição ficou ainda mais violenta. Madalena, como quase todos os cristãos de Nagasaki, se viu obrigada a refugiar-se nas montanhas. Ali, na companhia dos demais, homens e mulheres virtuosos, vivia nas cavernas e grutas e se alimentava de ervas silvestres. Madalena era amada e querida por todos, até pelos pagãos. Ali também viviam os santos religiosos Frei Francisco e Frei Vicente e ofereciam consolação a todos. Ambos foram detidos e passaram vários dias na prisão antes de serem queimados vivos no dia 3 de setembro de 1632.

Logo no dia seguinte chegaram ao Japão outros dois missionários agostinianos recoletos: Frei Melchior de Santo Agostinho e Frei Martinho de São Nicolau. Também estes foram martirizados. No dia 1º de novembro de 1632 foram presos e no dia 11 de dezembro foram queimados vivos a fogo lento, como havia acontecido com os bem-aventurados Francisco e Vicente.

Cerca de dois anos após a morte de nossos religiosos, Madalena esteve nas montanhas dedicando-se à pregação da Palavra de Deus, batizando, aconselhando, consolando e fortalecendo os que a procuravam. Numerosos foram os cristãos que preferiram a morte que renegar a fé.

Mas, infelizmente, muitos foram também os que, diante do horror dos suplícios, enfraqueciam e apostatavam. Madalena, desolada e triste pela apostasia destes irmãos e desejosa de sofrer o martírio, acreditou ter chegado o momento de apresentar-se aos juízes e torturadores para dar exemplo vivo aos cristãos.

No início de 1634 ela se apresentou aos carcereiros e guardas dizendo ser cristã e religiosa. Num primeiro momento os guardas mandaram-na embora dizendo que, sendo ela tão jovem e frágil, não poderia sofrer ou mesmo suportar tão horríveis tormentos a que eram submetidos os religiosos. Contudo, no dia seguinte ela foi presa.

Os juízes, admirados com sua beleza e comovidos pela sua tenra idade, vendo-a estimada e admirada pelos cristãos e também por ser de família nobre e ilustre, tentaram convencê-la, através de atenções especiais e promessas as mais diversas, a abandonar a fé. Mas tudo foi em vão.

Madalena, depois de sofrer vários tipos de torturas, sem perder a fé em Jesus Cristo, no início de outubro de 1634 foi tirada da prisão e, com outros dez cristãos, foi levada ao lugar do martírio.

Seu último suplício durou treze dias e meio, pendurada pelos pés, de cabeça para baixo, dentro de um poço. Assim morreu. Tinha, então entre 22 e 24 anos de idade. Depois de morta seu corpo foi queimado e as cinzas foram espalhadas nas águas do mar, a fim de que suas relíquias não caíssem nas mãos dos fiéis. Seu martírio aconteceu em meados de outubro de 1634.

Madalena foi beatificada em 1981 e no o dia 18 de outubro de 1987 o Papa João Paulo II canonizou-a, declarando-a Santa

 

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