O LACAIATO EM SANTO AGOSTINHO

 

 

“Ninguém pode dizer, porque o amor, Deus, é invisível. Porém, é verdade que tem pés: são os que caminham para a Igreja; tem mãos: são as que se estendem para os pobres; tem olhos: são os que veem o necessitado; tem ouvidos: são os que escutam o Senhor. ” (In Io. Ep. 7, 10)

 

 

 

 

 

 

ÍNDICE DOS TEMAS

  1. NOTAS PRELIMINARES
  2. A COMUNIDADE DE TAGASTE
  3. O CONTEXTO DA IGREJA
  4. A IGREJA, CORPO DE CRISTO
  5. CONSCIÊNCIA DO SER CRISTÃO
  6. O AMOR
  7. O AMOR NO CARISMA OAR
  8. A INTERIORIDADE
  9. O MÉTODO DA INTERIORIDADE
  10. A DISCIPLINA CRISÃ

NOTAS PRELIMINARES

  • Agostinho se converte ao cristianismo na primavera de 386.
  • Entra no grupo dos catecúmenos e se prepara para receber o Batismo.
  • É batizado pelo Bispo Ambrósio na catedral de Milão na Páscoa de 387.
  • Decide voltar à sua terra natal para viver no Senhor.
  • Em 387, na viagem de volta para a Numídia, sua mãe morre em Hóstia Tiberina.
  • Agostinho resolve ficar um tempo em Roma, onde conheceu algumas formas de vida monástica.
  • No outono de 388, em Tagaste, sua terra natal, começa a viver em comunidade com um grupo de amigos.
  • Agostinho é um cristão leigo que quer dedicar sua vida a Deus no estudo e meditação das Escrituras.

A COMUNIDADE EM TAGASTE

  • “Agostinho renunciou aos seus bens. Tudo foi doado à Igreja e aos pobres, exceto a propriedade de sua família, onde ficou morando com seus amigos. ” (F. Moriones)
  • “Uma vez ali estabelecido, quase por espaço de três anos, alheio a todos os cuidados mundanos, em companhia dos que se haviam unido a ele, vivia para Deus, com jejuns, oração e boas obras, meditando dia e noite na lei divina. Comunicava aos outros o que recebia do céu com seu estudo e oração, ensinando aos presentes e aos ausentes com a sua palavra e escritos. ” (Possídio, V A)
  • “Seus conterrâneos sentindo-se orgulhosos de ter entre eles o grande Agostinho, cuja fama havia começado a se difundir por toda a África, o incomodavam buscando solução para os seus problemas. ” (F. Moriones)
  • “Não existe acordo entre os estudiosos de Agostinho. Para alguns a fundação de Tagaste seria mais uma casa de filósofos ou de homens de letras, do que um mosteiro de monges. Outros defendem categoricamente seu caráter monástico. Não faltam os que advogam em favor de uma posição intermediária. ” (F. Moriones)
  • “Nessa época Agostinho escreve a obra: De vera religione. Os críticos admiram como Agostinho, poucos anos depois de sua conversão e ainda como simples leigo, pôde ter adquirido o tão íntimo conhecimento dos mistérios da religião cristã, como esse livro manifesta. ” (F.Moriones, p. 63)
  • Na primavera de 391 ele vai a Hipona visitar uma pessoa e também ver aí a possibilidade de fundar outra comunidade. Aí é aclamado para ser ordenado presbítero. (Sermão 355,2 in F. Moriones, p. 70)
  • O que é importante para nós é que no período de 388 a 391 Agostinho é cristão leigo. Nessa fase ele viveu como leigo participante da Igreja local de Tagaste, rezando, meditando a Sagrada Escritura e alimentando-se dos Sacramentos da Igreja.

“A Diocese de Hipona era dirigida pelo bispo Valério. Ele pedia com insistência ao Senhor que lhe desse

um homem capaz de edificar com sua palavra e sua doutrina a Igreja.” (F.Moriones, p. 71)

  • Em 391 Agostinho é ordenado Presbítero. “Os fiéis de Hipona, orgulhosos de seu sacerdote

Agostinho, divulgavam por toda parte os seus triunfos. ” (F. Moriones, p. 79)

  • “Em outubro de 393 celebrou-se em Hipona um Concílio. Agostinho foi convidado para pronunciar a grande alocução dogmática sobre a fé e o símbolo da fé, embora na ocasião fosseo sacerdote mais jovem da cidade.” (F..Moriones, p. 80)
  • “Temendo que Agostinho fosse levado para outra Diocese, o Bispo Valério pediu ao Primaz de Cartago que Agostinho fosse sagrado Bispo de Hipona.” (F. Moriones, p. 80-81)
  • A cerimônia aconteceu no final do ano 395

ATUAL ARGÉLIA

ANNABA – ANTIGA HIPONA

RUÍNAS DA BASÍLICA DE SANTO AGOSTINHO – Annaba – Argélia

ATUAL BASÍLICA DE SANTO AGOSTINHO- ANNABA – ARGÉLIA

ATUAL BASÍLICA DE SANTO AGOSTINHO

ATUAL BASÍLICA DE SANTO AGOSTINHO – ANNABA – ARGÉLIA

ATUAL BASÍLICA DE SANTO AGOSTINHO – ANNABA – ARGÉLIA

 

CONTEXTO DA IGREJA NO NORTE DA AFRICA

UMA IGREJA DE RECÉM CONVERTIDOS:

  • O Imperador romano do ocidente, Constantino (306-337), legalizou e apoiou a religião cristã no tempo em que se tornou imperador, com o Edito de Milão. Esta lei não tornava o paganismo ilegal e o cristianismo a religião estatal única.
  • O E d i t o d e M i l ã o , promulgado em 1 3 / 0 6 / 3 1 3 , f o i um documento proclamatório no qual se determina que o Império Romano seria neutro em relação ao credo religioso, acabando oficialmente com toda perseguição sancionada oficialmente, especialmente aos cristãos.
  • O cristianismo como religião oficial do Império foi proclamado em 27/02/380 pelo Edito de Tessalônica, no qual o imperador Teodósio I (379-395) fez do cristianismo a única religião autorizada em todo o império. Ao contrário de Constantino, que, com o Edito de Milão havia estabelecido a tolerância ao cristianismo sem colocá-lo acima de outras religiões, Teodósio a oficializou.
  • A velha religião do Império, em suas várias formas que chamamos de paganismo, não desapareceu tão facilmente. (A. Pincherle, p. 198)
  • Uma coisa era o cristianismo como determinação de religião por parte do Império; outra coisa era, na prática, a vida das pessoas no vasto território imperial.
  • “Naquele tempo, todavia, vários templos permaneciam em pé, e os cultos pagãos continuavam a ser celebrados”. (A. Pincherle, p. 201)

“A resistência pagã perdurava, especialmente entre os mais pobres e não se impunha uma conversão forçada. Isso não significa que não houvesse violência com tumultos até sanguinários, como em Sufes onde foi espalhado o sangue de vários cristãos. ” (A. Pincherle, p. 201)

  • Nesse contexto Agostinho afirmava: “Deus quer que a superstição dos pagãos e gentios seja destruída. Deus comanda, Deus predisse e Deus já a começou e já a concluiu em grande parte da terra. Que bom que deixastes ver os vossos sentimentos. Deixai que apareçam também esses sentimentos entre aqueles que vos governam”. (Sermão 24, 6)
  • “Nesta época Agostinho não se cansa de pregar e orientar os catequistas que o argumento principal deve ser a pessoa de Cristo, buscando Nele tudo aquilo que pode fazer nascer nas pessoas a caridade com a moral que vale para os cristãos, porque o objetivo dos preceitos é, justamente, a caridade.” (A. Pincherle, p. 203)
  • Agostinho olhava mais alto: os defensores do paganismo entre os homens cultos, os filósofos que não aceitavam Cristo como Deus. Agostinho fala para estes com a obra: De consenso evangelistarum. (ano 400)
  • Agostinho lhes questiona: Se eles aceitavam o que os discípulos de Pitágoras e Sócrates escreveram, por que não aceitam o que escreveram os discípulos de Cristo? (A. Pincherle, p. 204)

UMA LISTA DAS HERESIAS:

De Haeresibus ad quodvultdeum

  • Nesta obra, escrita em 428, pouco antes do seu falecimento, Agostinho atende aos insistentes pedidos do diácono Quodvultdeus de Cartago e aborda 88 heresias, “de forma breve, abreviada e sumária”, a partir daquela tida por mais antiga – iniciada por Simão Mago – até aquela mais recente, sustentada por Pelágio

e Celéstio.

O MANIQUEÍSMO

  • Nos dias 28 e 29 de agosto de 392 debate em Hipona com o maniqueo Fortunato, que desaparece de Hipona.
  • Filosofia religiosa sincrética e dualística ensinada pelo profeta persa Mani (210-276 D.C .) combinando elementos do zoroastrismo, cristianismo e gnosticismo. Segundo esta corrente, tudo resulta da oposição dos princípios do bem e do mal. A matéria é intrinsecamente má e o espírito intrinsecamente bom.

O DONATISMO

  • Em 397 debate com o bispo donatista Fortunato em Thubursicum Bure.
  • De Donato (bispo de Cartago, 355). Eram rigoristas. Achavam que os batismos e ordenações concedidos por padres e bispos indignos eram inválidos (a questão dos lapsi). Tinham uma concepção mais peumática da Igreja e dos sacramentos.

O PELAGIANISMO

  • Em 416, Agostinho participa do Concílio de Milevi (setembro-outubro) que condena Pelagio e Celestio.
  • Pelágio (leigo inglês, início do séc. V). Atribui grande importância à vontade e àliberdade humanas, suficientes para a salvação. Para ele, a responsabilidade pessoal e as obras eram decisivas (dispensa Cristo). Recusa a ideia de pecado original.

ARIANISMO

  • Em 418 escreve o: Contra sermonem Arianorum.
  • O arianismo foi um a visão cristológica sustentada pelos seguidores de Ário, presbítero cristão de Alexandria na Igreja primitiva, que negava a existência da consubstancialidade entre Jesus e Deus Pai, que os igualasse, concebendo Cristo como um ser pré-existente e criado, embora a primeira e mais excelsa de todas as criaturas, que encarnara em Jesus de Nazaré. Segundo Ário, só existe um Deus e Jesus é seu filho e não o próprio Deus.

A IGREJA, CORPO DE CRISTO

DOUTRINA DO CRISTO TOTAL

  • Agostinho denomina Cristo Total a união de Cristo com os membros da comunidade Igreja.
  • “À sua carne se une a Igreja e se faz o Cristo total, a Cabeça e o Corpo” (Io. Ep.1,2)

CRISTO TOTAL É A TERCEIRA

DIMENSÃO DE CRISTO

  • “A primeira delas, Cristo a possui enquanto Deus e em referência à divindade, igual e coeterna à do Pai. A segunda se refere ao momento em que Ele assumiu um corpo. A terceira dimensão denominamos Cristo total, na plenitude de sua Igreja, quer dizer, Cabeça e corpo, de quem somos membros cada um em particular. ” (S. 341)
  • “Seja Cristo nossa Cabeça, sejam os seus membros, sejam dois em uma só carne. Cristo e a Igreja, sob o conceito de esposo e esposa, são um só. A semelhança da unidade que há entre o Pai e o Verbo, Cristo e a Igreja são os dois um só homem perfeito, um homem em sua plenitude. ” (Com.ao Sl 101, 1.2)
  • “Pensai, irmãos, até onde chega o amor de nossa Cabeça. Mesmo que já esteja no céu, segue padecendo aqui enquanto padece a Igreja. Aqui Cristo tem fome, aqui tem sede e está nu, carece de habitação e está doente e encarcerado. O quanto padece seu Corpo, é Ele mesmo que padece. ” (S.137, 2)
  • “O que a alma é para o organismo humano, é o Espírito Santo para o Corpo de Cristo, a Igreja; o Espírito faz em toda a Igreja o que faz a alma em todos os membros de um mesmo corpo. Por isso, um cristão católico vive enquanto permanece unido ao Corpo da Igreja. ” (S. 267, 4)
  • “Se, pois, quereis viver do Espírito Santo, guardai a caridade, amai a verdade, mantende a unidade para chegar à eternidade. ” (S. 267, 4)
  • “Os filhos de Deus são o Corpo do único Filho de Deus, e sendo Ele a Cabeça e vós os membros, só há um Filho de Deus. Logo, quem ama aos filhos de Deus, ama o Filho de Deus, e quem ama o Filho, ama o Pai. ” (In Io. Ep. 10,3)
  • “Quem ama se faz a si mesmo membro de Cristo; já que pelo amor passa a formar parte da estrutura viva do Corpo de Cristo; assim teremos um Cristo amando-se a si mesmo; porque quando mutuamente se amam os membros, o Corpo se ama a si mesmo”. (In Io. Ep. 10, 3)
  • “Somos um Corpo sob uma mesma Cabeça, de tal maneira que vós em nós estais trabalhando e nós em vós, estamos dedicados à contemplação. ” (Ep.41, 1)
  • “A Igreja também reza: Perdoai as nossas ofensas, e tem, consequentemente, manchas e rugas. Mas esta confissão estica as rugas e lava as manchas. A Igreja persiste na oração para obter, confessando-as, a purificação de suas manchas; enquanto viver nesse mundo, assim tem que proceder. ” (Sermão 181, 7)

CONCIÊNCIA DE SER CRISTÃO

“Mas sustentai-me também vós, para que, segundo o mandamento do Apóstolo, levemos os pesos uns dos outros, e assim cumpramos a lei de Cristo – Gál. 6, 2

– Se me atemoriza ser eu para vós, consola-me estar convosco. Porque para vós sou Bispo, convosco sou cristão. Aquele é nome de cargo, este de graça; aquele é nome de perigo, este de salvação”) (Serm. 340, l; PL 38, 1483).

O AMOR COMO VIRTUDE TEOLOGAL

SCIENTIA ET CHARITAS

Amor, oris – amor, caridade, benevolência, afeto, afeição.

Dilectio, onis- Substantivo do verbo “diligere“. Indica um amor que vem de uma escolha. Não é, pois, um amor geral e que atinja a todos. Atinge uma pessoa, porque ela foi escolhida de uma maneira especial. A “dilectio” supõe um amor que não é simplesmente espontâneo, como pode ser muitas vezes a amizade.

Charitas, atis – É sinônimo de Amor paciente, prestativo, não invejoso, modesto, humilde, adequado, justo, verdadeiro, capaz de perdão, crente, esperançoso, corajoso.

  • “O amor é conatural ao ser humano. Eu lhes digo, acaso, que não amais? Deus me livre! Estaríeis mortos e seríeis odiosos e miseráveis se não amásseis nada. Amai, pois; porém cuidado com o que amais!” (Em in Ps. 2, 5)
  • “O amor de Deus nos fez dignos de sermos amados. Nós amamos porque fomos amados. Este dom é inteiramente de Deus, o amável. Ele que amou sem ter sido amado, o concedeu para ser amado.
  • “Fomos amados sem ter méritos para que em nós houvesse algo que lhe agradasse. Esse nosso amor filial com que honramos a Deus, o criou Deus, e viu que era bom; por isso Ele amou o que fez. ” (In Io. Ev. 102, 5)
  • “Cristo nos amou além do limite máximo. Eis aqui, pois, que em Cristo encontramos um amor maior, pois entregou sua vida não por seus amigos, senão por seus inimigos. Como é grande o amor de Deus pelos homens! ” (Sermão 215, 5)
  • “O amor gratuito a Deus consiste em amá-lo. Amemos, amemos gratuitamente, pois amamos a Deus, mais do que qualquer outro. Ama verdadeiramente o amigo quem ama a Deus no amigo, ou porque já está ou para que esteja nele. Este é o verdadeiro amor. ” (Sermão 336, 2)
  • “O amor ao próximo é uma forma visível do amor a Deus. Deus é amor. Porém, como é o rosto do amor? Como é seu corpo, sua estatura, seus pés, suas mãos?
  • “Ninguém pode dizer, porque o amor, Deus, é invisível. Porém, é verdade que tem pés: são os que caminham para a Igreja; tem mãos: são as que se estendem para os pobres; tem olhos: são os que veem o necessitado; tem ouvidos: são os que escutam o Senhor. ” (In Io. Ep. 7, 10)
  • “O máximo expoente do amor ao próximo. A plenitude do amor que nós devemos uns aos outros, irmãos caríssimos, a definiu o Senhor, dizendo: ninguém tem amor maior do que o que dá sua vida por seus amigos. Como antes havia dito: este é o meu mandamento, que os ameis uns aos outros como eu os amei, acrescentando agora estas palavras que haveis escutado, tira-se a mesma conclusão que tirou o mesmo evangelista São João em sua carta, dizendo que … assim como Cristo deu sua vida por nós, nós também devemos dar a nossa pelos irmãos, amando-nos uns aos outros como nos amou o que entregou sua vida por nós. ” (In Io ev. 84, 1)
  • “Implicações da caridade. Na realidade, nós nos amamos a nós mesmos se amamos a Deus, e, cumprindo o segundo preceito, amaremos na verdade a nossos próximos como a nós mesmos se os guiamos ao mesmo amor de Deus que há em nós. ” (Ep. 130, 14)

A TRÍPICE DIMENSÃO DO AMOR NO CARISMA OAR

“O amor contemplativo, além de unir as almas e os corações em comunidade, é em si mesmo difusível e apostólico. O amor de Deus se difunde originariamente na comunidade das três divinas Pessoas; e daí na criação. O homem, quanto mais participante do conhecimento e do amor de Deus, com mais força tende a difundir entre seus semelhantes esse conhecimento e esse amor:

“Devemos desejar que todos amem a Deus conosco”. (Const. 23).

  • Santo Agostinho observa que a plenitude da lei é o amor, por isso, no seguimento de Cristo o que importa é amar.
  • Por isso, no comentário a João 1, ele diz: “Ama e faça o que quiseres” =“Dilige et quod vis fac” (In Io ep. 7,8 ) refere-se ao amor ordenado.

A INTERIORIDADE

  • Em 389, escrevendo a seu amigo Romaniano, Agostinho descreve o que viria a ser o processo da interioridade agostiniana:
  • “Não queiras ir para fora; entra dentro de ti mesmo, porque no interior do homem reside a verdade. E se achares que tua natureza é mutável, transcende a ti mesmo”. (De V. rel. 39, 72)

O MÉTODO DA INTERIORIDADE

  • “Não queiras ir para fora”;

Contra a tentação que o ser humano tem de abandonar o seu interior e de distrair-se entre as coisas materiais. É a dispersão

  • “Entra dentro de ti mesmo”.

Não basta não estar disperso, é preciso regressar ao próprio ser, é preciso regressar ao interior, ao coração.

  • “No homem interior reside a verdade”
  • O regresso ao coração tem a finalidade de que nos encontremos com Cristo, o único que pode renovar a vida de uma pessoa: “No interior do homem habita a verdade”, e a Verdade é Jesus Cristo.
  • “Volta ao coração, e vê ali o que, talvez, percebes de Deus: pois ali está a imagem de Deus. No homem interior habita Cristo, no homem interior és renovado, conforme a imagem de Deus”. (Io.Eu.Tr.18,10).

“E se achares que tua natureza é mutável, transcende a ti mesmo”.

  • O processo de interioridade não termina fechado em si mesmo, mas convida a uma abertura ao outro.
  • Esse outro significa: Deus – Próximo
  • Nas obras de Agostinho encontramos um mundo de orientações sobre a vida espiritual.

Apenas para citar duas:

  1. Carta a Proba e Juliana
  2. Comentário aos Salmos

A DISCIPLINA CRISTÃ

  • A obra De disciplina christiana é um Sermão de Santo Agostinho, datado, segundo os agostinólogos, do ano 411.
  • A obra não está classificada dentro dos Sermões, mas como um opúsculo, embora toda a sua estrutura é de um sermão.
  • O importante é seu conteúdo:

Introdução (I, 1), onde ele anuncia:

– “Primeiramente, pois, vejamos o que é viver bem” (II, 2 – XI, 12);

– “e, depois, quais os prêmios pela boa vida” (XII, 13);

– “em terceiro lugar, quem são os verdadeiros cristãos e, ” (XIII, 14);

– “em quarto lugar, quem é o verdadeiro mestre” (XIV, 15).

Segue-se uma Oração conclusiva (XIV, 16).

  • A distribuição das partes evidencia que o que se deve aprender é o viver bem, e é justamente esse o fim da Palavra de Deus e da Igreja de Cristo, casa da disciplina, porque é onde se aprende a Palavra de Deus. Agostinho desenvolve isso a partir de Eclo 51,36.31: “adquiri a instrução na casa da disciplina”.
  • Na Introdução, o bispo de Hipona deixa claro que o bem viver é algo que deve superar os muros da igreja e chegar a toda a vida daquele que se encontra no templo, casa da disciplina. Isto é, o ensino recebido na Igreja é para a vida, não para um momento da vida, o momento em que se está na igreja.
  • Nesse processo de ensino e aprendizado, o pregador é como cesta em que as sementes do semeador são recolhidas para ser espalhadas. Com essa imagem, Agostinho, humildemente, designa a si mesmo, ao fechar a sua introdução.
  • A primeira e mais extensa parte (II, 2 – XI, 12), dedicada ao que é o viver bem, o que se aprende na Igreja de Cristo, é o núcleo do sermão. De fato, essa parte é consideravelmente mais longa que as outras. Aí, primeiramente, o bispo de Hipona sintetiza todos os inumeráveis preceitos para o viver bem no duplo mandamento do amor, a Deus e ao próximo.
  • A terceira parte (XIII, 14) não tem mais que algumas linhas: quem aprende a viver bem, quem aprende o amor ao próximo são os verdadeiros cristãos; não por estarem no templo, mas por ouvirem com atenção, por deixarem que a semente da palavra caia em seus corações, por se afastarem da iniquidade para crescerem em Deus.
  • Quem ensina é Cristo, o verdadeiro Mestre. Mas Cristo ensina mediante Cristo, o Cristo-cabeça mediante o Cristo-corpo. (Heres Drian, Introdução a Disciplina Cristã, Paulus)

CONCLUSÃO

  • Agostinho se converte na fase adulta de sua vida e tem consciência do que é ser cristão.
  • A vida em comunidade de leigos, inspirada nos At 4, 32.
  • O estudo da religião cristã (De Vera Religione) e das Escrituras.
  • A pluralidade religiosa no Império Romano.
  • As heresias da época. O perigo das ideias erradas hoje sobre Jesus e sobre a Igreja.
  • A importância do conceito de Igreja, Corpo de Cristo.
  • O conceito de Bispo como ministério a serviço dos cristãos.
  • O amor como virtude Teologal na vida do cristão.
  • A interioridade como alimento da vida com Deus.
  • A disciplina na vida cristã.

BIBLIOGRAFIA

MORIONES, F., Espiritualidade Agostiniano Recoleta, v. 1 e 2, Gávea, 2003

GALINDO RODRIGO, J. A., San Agustín, Doctrina Espiritual, Edicep, 2006

PINCHERLE, A., Vita di Sant’Agostino, Laterza, 2000

http://www.augustinus.it/

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