Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil

A imagem de Nossa Senhora Aparecida é singular no que tange à identificação religiosa dentro do Brasil, sendo reconhecida como padroeira do país. A história da imagem tem como marco inicial o ano de 1717, quando ela teria sido encontrada por três pescadores.

A memória de Nossa Senhora Aparecida por torna-se um espelho do nosso povo.

Foi em fins do século XIX e no avançar do XX que a imagem de Nossa Senhora Aparecida ganhou projeção nacional. No início do novecentos a cor da imagem, transforma-se em sua maior virtude. Ela passa a ser vista como a imagem das cinco raças.

Aparecida ganha projeções de uma Nossa Senhora brasileira. Sua história é entrecruzada com os maiores acontecimentos do país. Em primeiro lugar uma ligação entre a independência do Brasil com a passagem de D. Pedro I pela capela de Aparecida antes de decretar a independência do Estado brasileiro.

Ali, o príncipe regente teria pedido à Santa Maria proteção para o Brasil. A ilustre visita buscava em Nossa Senhora da Conceição, aparecida nas águas brasileiras, o amparo para a nova nação.

A ligação se avoluma no final da década de 1880. Quando a Imagem recebe a doação da princesa Isabel uma coroa, com a qual é coroada rainha em 1904. Ela passa então a estar diretamente ligada a uma das figuras mais emblemáticas da história brasileira. A princesa doa também o seu caráter redentor de “libertadora dos escravos”.

Aparecida torna-se a sucessora de Isabel por reconhecimento ao trabalho desenvolvido junto dos desamparados. Mas é no período republicano que Nossa Senhora Aparecida é elevada à condição de rainha do povo brasileiro.

A Proclamação da República em 15 de novembro de 1889 intensificou o processo de mudanças no catolicismo. A Igreja Católica do Brasil, mesmo reaproximada de Roma, sofria do mesmo mal enfrentado pelo papa Leão XIII na

Europa. Era preciso aproximar a Igreja dos fiéis.

Maria, aquela que venceu o pecado, é invocada para vencer a “serpente maligna” que ameaça o mundo. A serpente, as emboscadas e os perigos são os novos cenários políticos que emergiam e as ameaças que as igrejas protestantes ofereciam ao catolicismo. Neste sentido a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida desponta como um símbolo capaz de unir diferentes classes dentro do Brasil, desde os mais potentados até os mais simples.

Nossa Senhora Aparecida foi coroada Rainha do Brasil em 08 de setembro de 1904. A imagem de Maria, a mãe do filho de Deus, vista pelo povo brasileiro como capaz de satisfazer a necessidade que o governo republicano se esforçava em produzir símbolos capazes de representar a recém fundada república e seus cidadãos.

A coroação ganhou ainda mais ímpeto dentro das camadas populares, quando se constituiu a imagem de uma Maria que rogava pelos oprimidos, que intercedeu pelos subjugados, e recebeu como doação, pelas mãos da princesa Isabel, uma coroa. A associação da imagem de Aparecida com a figura de Isabel que era a sucessora do trono real brasileiro e foi a promotora da liberdade dos escravos, que formavam agora uma ampla parcela de marginalizados brasileiros. Coroar Aparecida com uma coroa doada pela princesa significava muito mais do que colocar sobre a cabeça de uma imagem um simples arco de metal. O objeto doado pela “libertadora dos escravos” era um símbolo muito sugestivo, carregado de significados que extrapolam o campo religioso. Em primeiro lugar era o reconhecimento pela Princesa da importância dessa imagem e do seu caráter real, soberano. A doação da coroa na década de 1880 simbolizou o reconhecimento de Isabel do protetorado de Aparecida sobre o território brasileiro. Iniciava-se nesse momento um jogo simbólico entre as duas imagens: uma aliança entre a libertadora dos escravos e a Mãe dos pobres e oprimidos. União concretizada na coroação, no dia 08 de setembro.

A coroa doada pela sucessora da monarquia brasileira, destronada pelos militares em 1889, propõe uma dupla interpretação. Ao mesmo tempo em que relembrava a sucessão monárquica em plena república e incorporava à imagem de Nossa Senhora Aparecida mais um ornamento dando a ela a força de um símbolo nacional, significava a incorporação pela Igreja de todos os libertos no 13 de maio. Os ex escravos contariam agora com a proteção de Maria, já que não podiam mais contar com de sua princesa libertadora.

Aparecida era a imagem de uma Maria abrasileirada, capaz de congregar quase todos, se não todos, os estereótipos humanos encontrados no Brasil daquele momento.

A imagem de uma Maria foi coroada Rainha do Brasil, um dia após as comemorações da independência do país, aproveitando-se de uma data comemorativa para a Igreja em âmbito Mundial. Com esse signo religioso, lido agora como emblema nacional, pois deixa de ser qualquer Maria para ser a Mãe Aparecida e protetora de seu povo.

 

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