Finados: Um dia de esperança e não de tristeza

 Em seu diálogo com Marta, que acabara de “perder” seu irmão e, em certo sentido, estava muito triste e se lamuriando, disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressureição e a vida, quem crê em mim, ainda que esteja morto/morta viverá” e continuou seu ensinamento a Marta e também a todos quanto até os dias de hoje ainda choram o falecimento, a morte de seus entes queridos, dizendo “Todo aquele que crê em mim, nunca morrerá. Crês, tu isto?”. (Evangelho de São João 11:25 – 26).

A morte é um tema envolve não apenas em mistério, porquanto revela a nossa incerteza quanto `a vida na dimensão transcendental, quando o nosso corpo físico, como bem diz a Bíblia Sagrada, “o que é pó, ao pó retornará”, mas , repito, a morte é a mais dolorosa, mas triste e mais profunda experiência que todos nós experimentamos ao longo de nossa existência, principalmente para quem chega `a terceira ou quarta idade.

Em sua primeira Carta aos Coríntios 15:55, o Apóstolo Paulo assim se refere `a morte, como se estivesse em um dialogo direto com a mesma: “onde está, ó morte, a tua vitória? Onde esta, ó morte, o teu aguilhão?.

Quem por exemplo, chega a 70; 80; 90 ou até cem anos ou mais, com toda certeza é ou será uma pessoa que irá perder ou já perdeu a grande maioria dos familiares, amigos, amigas, colegas de trabalho, vizinhos.

Só resta a essas pessoas fragmentos das experiências vividas, inclusive diversas mortes de entes queridos. Essas pessoas, quando não são acometidas pela demência, pela perda da memória, só terão acumulado experiência de vida ao lado de quem já tenha partido ou vagas lembranças, um tanto impregnadas na memória/cérebro ou que podem ser vistas e revistas em fotos antigas que o tempo vai se encarregando de guardá-las para a posteridade.

Para os cristãos, em suas diferentes “igrejas”, a morte física é a que acaba com o corpo físico, com a matéria, mas um dos fundamentos da fé cristã é a ressurreição, ou seja, a transcendência para um plano de eternidade, para o que, segundo a doutrina cristã, está ancorada na morte e ressurreição de Cristo e a certeza de sua “Segunda vinda”, quando “haverá de julgar vivos e mortos”, conforme a Segunda Carta de São Paulo a Timóteo 4:1.

Se de fato cremos nesses princípios e regras de fé, nós, os cristãos, e também os adeptos de outras religiões, não podemos ficar entristecidos e chorosos, quando chega o DIA DE FINADOS. Devemos reverenciar, sim, a memória de nossos antepassados, de nossos entes queridos e de todos os nossos parentes, amigos e amigas com um misto de respeito e saudades, relembrando os momentos e as experiências felizes que partilhamos quando os mesmos ainda estavam em vida, sentimentos de esperança e de certeza de que um dia, em um outro plano existencial, vamos nos encontrar.

Muitas culturas e religiões inclusive, “comemoram” com festas o dia dos mortos como acontece no México, em cujo país, o “Dia de los Muertos” é um período festivo de três dias, de 31 de outubro até 02 de novembro, sendo também considerado um patrimônio imaterial declarado pela UNESCO em 2003.

Portanto, neste DIA DE FINADOS de 2020, quando o mundo todo, inclusive o Brasil, está sob uma ameaça terrível pelo CORONAVIRUS, a COVID 19 que já contaminou, até este dia de finados, mais de 46,6 milhões de pessoas e já provocou mais de 1,2 milhões de mortes ao redor do Mundo; nos EUA mais de 9,2 milhões de casos e 231 mil mortes e no Brasil com 5,55 milhões de pessoas infectadas, ocupando o terceiro lugar em número de casos e 160,1 mil mortes, ocupando o segundo lugar no mundo neste aspecto.

Portanto essas “comemorações” do DIA DE FINADOS, incluindo as visitas aos cemitérios e aos túmulos de nossos entes queridos, devemos ter muita precaução, cuidados e medidas de proteção sanitária, como distanciamento social, uso de máscara e higienização, evitando que mais gente sejam infectadas e também venham a aumentar o número de mortes neste momento.

Que Deus nos fortaleça com umas renovadas esperanças cristãs, muita fé, resiliência e a certeza de que a Morte consegue destruir apenas nosso corpo material, mas jamais nossa alma e nossa imortalidade!

Afinal, a única certeza que temos ao nascer é que um dia haveremos de morrer, todavia não sabemos nem onde, nem quando e nem em que circunstâncias. Enquanto este desenlace terreno e material não chega, vamos seguir nossa caminhada, nossa jornada terrena!

Este DIA DE FINADOS é apenas mais um em nossa existência terrena. Um dia seremos nós os relembrados por nossos entes queridos, amigos e amigas, em um dia de finados como este de hoje.

 

JUACY DA SILVA, professor universitário, UFMT, sociólgo, mestre em sociologia. Email profjuacy@yahoo.com.br

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