Oficina de Oração Agostiniana

“EU SOU”….

EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA”

OFICINAS DE ORAÇAO AGOSTINIANA

FSAR- MÃES MÔNICA- ARQUICONFRARIA

15 DE MARÇO 2017

 

INTRODUÇÃO

O Evangelho de São João põe em lábios de Jesus a é expressão “Eu sou,” para dizer-nos qual a sua identidade, e suas características como Deus e homem. Essas expressões são a autodefinição de Cristo. São João, então, nos propõe um amplo e rico mosaico  para que o fiel possa aproximar-se do mistério do Cristo, de maneira gradual, progressiva e ascendente, e vá descobrindo quem é Cristo, e assim procurar imitá-lo:

1.Eu sou o caminho, a Verdade e a Vida (Jo. 14,6)

2.Eu sou o Pão de Vida (Jo. 6,35)

3.Eu sou a Luz do mundo (Jo. 8,12)

4.Eu sou o Bom Pastor (Jo. 10,11)

5.Eu sou  a Porta das ovelhas (Jo. 10,7)

6.Eu sou a Videira verdadeira (Jo. 15,1)

7.Eu sou a Ressurreição (Jo. 11,25)

 

EU SOU CRISTO COMO DEUS

A expressão “Eu sou” nos convida a contemplar Cristo como Deus. Essas palavras nos lembram a definição que o próprio Deus deu a Moisés: “Eu sou o que sou”. Santo Agostinho reflete na imensa distância que há entre Deus e os homens, o infinito amor e misericórdia que Cristo teve para acercar-se dos  homens.

“Quanto nos amastes, ó Pai bondoso,ao ponto de não poupares teu Filho  Unigênito,   entregando-o nas mãos dos ímpios”

Santo Agostinho nos convida a uma admiração inspirada diante de Deus. Deus é desde sempre e  para  sempre, e nós começamos a existir quando Deus o dispôs.

Nossa vida terrena algum dia terminará, o que  significa dizer, que algum dia não seremos como somos hoje. A bondade e a misericórdia de Deus fazem que não morramos de todo. Non omnis moriar do poeta Horácio

EU SOU FEITO CARNE

Agostinho fica admirado ante o mistério da Encarnação de Cristo, pois esse evento quebra a lógica do pensamente na antiguidade. Ele narra o episódio sugestivo, contado por seu catequista em Milão, São Simpliciano. Este seu amigo lhe contou que um filósofo neoplatônico, batizado por ele, lhe teria dito que as palavras do Evangelho

“E o Verbo se fez carne” significavam o principio da redenção. E que essas palavras deveriam estar escritas em todas as igrejas.

A Encarnação é um ato de amor e de misericórdia, que deve levar os seres humanos a imitar este mesmo gesto. Agostinho ainda refere-se ao “descenso de Cristo” aos homens, ato que deve comprometer os seres humanos a encarnar-se nas realidades que os rodeiam e descer das alturas do próprio egoísmo, para ir ao encontro dos irmãos.

Agostinho aprendeu a lição, pois, soube abaixar seus conhecimentos para pôr-se ao nível do povo simples, para poder levar todos a Deus. Se Cristo desceu aos homens como o Bom Samaritano, também ele tinha de descer do brilhantismo da retórica, para pôr-se ao lado do povo.

Foi esta uma conversão essencial em Agostinho, que nós devemos imitar, deixando de lado os juízos que fazemos das pessoas que nos rodeiam e as condenações que lhes infligimos, sabendo compreender as debilidades, as imperfeições, as misérias dos outros.

Aterrorizado com os meus pecados, com o peso da minha miséria, tinha tomado em meu coração o projeto de fugir para a solidão, mas tu me impediste e me fortaleces-te, dizendo: Cristo morreu por todos, a fim de que aqueles que vivem não vivam para si, mas para Aquele que morreu por eles. Eis-me, Senhor, eu confio a ti os meus cuidados para poder  viver e  contemplar as tuas maravilhas. Conheces a minha inexperiência e  fraqueza. Ensina-me. E cura-me

CRISTO, O DEUS HUMILDE

O fato da Palavra de Deus se tinha feito carne, suscita no interior de Agostinho uma profunda admiração e reflexão sobre a humildade de Cristo, que se converte em mestre da humildade, convidando-nos a sermos humildes, esquecendo a nossa autossuficiência e soberba que nos afasta de Deus.

Cristo se fez uma casa humilde em nosso próprio barro, porque assim diz a Palavra de Deus. Que ele se fez “tenda”. E veio “acampar” entre nós. Deus mora em meio aos homens como o Emanuel. Pela humildade Cristo colocou-se aos nossos pés, para que aprendêssemos com ele a ser humildes.

“Eu não tinha a humildade suficiente para possuir o meu Deus, o humilde Jesus, nem conhecia as lições que a sua fraqueza nos dava. De fato, o teu Verbo constrói nas partes inferiores, com o nosso lodo, uma habitação humilde, e assim faz que se arranquem de si mesmos aqueles que aceitam a submissão, a fim de atraí-los a Si, curando-lhes o orgulho e alimentando-lhes o amor”.

Há alguns anos, no mundo anglo-saxão, foi de moda usar pulseiras e outras prendas, com as letras: WWJD (What would Jesus do). “O que Jesus faria”. Para Agostinho, a humanidade de Cristo é o caminho pelo qual devemos caminhar; e a sua divindade é a meta à qual nos dirigimos. Por Ele caminhamos e para Ele vamos. Agostinho nos convida a caminhar pelo caminho do Cristo homem, para chegar a Cristo Deus, que é Verdade e Vida.

“Levanta-te, caminha! Cristo-homem é o teu caminho; Cristo-Deus, a tua pátria. Nossa pátria é a verdade , é a vida; nosso caminho: a Palavra se fez carne e habitou entre nós.Éramos preguiçosos para caminhar, e o Caminho veio até nós”.

A Encarnação de Cristo serve, pois para curar o orgulho do coração que estava cego pelas aspirações carnais. Desse modo, a “carne” tinha que curar a carne. A Encarnação veio a fim de que extinguisse a partir da Carne, os vícios da carne, e matasse a partir da morte a própria morte, isto também se realizou em ti, pois dado que o Verbo se fez carne, podes dizer: contemplamos a sua glória.

CRISTO, O DEUS CRUCIFICADO,

Cristo assume um corpo como diz São Paulo na carta aos Hebreus: Ao entrar no mundo, Cristo afirma: Tu não quiseste vítima nem sacrifício, mas formaste-me um corpo.

A Encarnação de Cristo leva-nos ao mistério da cruz. A cruz é a exaltação, a glorificação: Quando tiverdes elevado o Filho Homem, então sabereis quem Eu Sou.

Na cruz, Cristo manifesta seu infinito amor por todos os homens, entregando a vida.

A cruz de Cristo deve estar presente na vida de todo fiel. Agostinho diz que o caminho pelo qual se segue a Cristo é a paixão do mesmo Cristo.

O caminho de Cristo conduz-nos ao Gólgota,  faz-nos descobrir que a vida foi recebida para que possamos entregar por amor. Quem é egoísta, quem vive apenas para si mesmo, não descobriu o amor de Deus. Agostinho indica que o caminho para a Pátria eterna é a paixão de Cristo.

“Excelsa é, com efeito, a pátria; humilde, o caminho. A pátria é a vida de Cristo; o caminho, a morte de Cristo;a pátria é a morada de Cristo; o caminho, a paixão de Cristo. Por que anda a procurar a pátria quem recusa o caminho?

A mesma ideia é apresentada por Agostinho com a frase lapidar: Não te apartes do lenho de Cristo. A cruz de Cristo é o lenho, o madeiro e a nave que devem conduzir o ser humano pelo mar deste mundo, para que ele possa chegar ao Reino eterno. Quem solta o madeiro da cruz, afunda-se nas procelosas águas deste mundo, vê-se engolido pelas paixões e pelos interesses mundanos.

O Deus encarnado é o Deus crucificado. glorificado no momento de sua Paixão, que nos convida a tomar a nossa cruz, fazendo da cruz o estandarte de nossa própria vida e vendo nela refletidas as diversas dimensões da nossa existência, tais como as boas obras, a perseverança até o fim, a meta elevada à qual nos dirigimos, e a importância da graça de Deus

Larga é a cruz no patíbulo horizontal, em que se estendem as mãos de Crucificado, e significa as boas obras, realizadas com a largura da caridade

EXERCÍCIO DE ORAÇÃO

Exercício de imaginação. Texto: João 14, 1-12

“Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:’Não se perturbe o vosso coração.Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito.Vou preparar um lugar para vós,e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar,voltarei e vos levarei comigo,a fim de que onde eu estiver estejais também vós.

E para onde eu vou, vós conheceis o caminho.’ Tomé disse a Jesus: ‘Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?’ Jesus respondeu:’Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. Se  me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai.

E desde agora o conheceis e o vistes.’Disse Felipe: ‘Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!’ Jesus respondeu:’Ha tanto tempo estou convosco,e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: `Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim?

As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai”

PISTAS PARA A MEDITAÇÃO

– “Eu sou” é a autodefinição de Deus. Como você se define espiritualmente?

– Cristo Deus se aproximou do homem quando “desceu”. Como você se aproxima do teu próximo?

– Deus é desde sempre e para sempre. Reflete que algum dia nós não seremos o que somos hoje.

– Você vê tudo através dos olhos do corpo? Não consegues ter uma visão mais profunda das coisas, através dos olhos da alma?

– Você age como o Bom Samaritano com o irmão?

– Que juízos você emite a respeito do teu irmão?

– Os teus caminhos, são os caminhos do Senhor?

– Jesus se fez carne. Você aceita, de bom grado, as fragilidades de teu corpo?

– Tu tens a humildade suficiente para possuir o teu Deus?

– Tu te cegaste pelo pó. Qual é o pó que produz a cegueira em ti?

– Não te apartes do lenho de Cristo. Quando foges da cruz de Cristo?

 

CONCLUINDO A ORAÇÃO

– Os que desejarem, podem fazer uma BREVE ORAÇÃO em voz alta.

– Os que desejaram, põem elevar a Deus uma breve jaculatória.

BÊNÇÃO E DESPEDIDA

– Reza-se : Orando com Santo Agostinho

– Formando um círculo, de mãos dadas, reza-se o PAI-NOSSO.

– O sacerdote dá a bênção.

 

ORANDO COM SANTO AGOSTINHO

 

Que o coração fraterno

ame em mim aquilo que me ensinas a amar,

e deplore em mim

o que me ensinas deplorar.

Que este sentimento

brote de um coração fraterno

e não de um estranho,

de filhos de estrangeiros,

cuja boca diz coisas vãs

e cuja mão e a mão da iniquidade.

Que o faça um coração fraterno,

que se alegra comigo quando me aprova

e se entristece quando  me desaprova,

porque me ama, quer me aprove ou não.

E tu, Senhor, alegre com o perfume

do teu santo templo,

tem piedade de mim,

segundo a tua grande misericórdia,

por causa do teu nome.

Tu, que nunca abandonas as obras começadas,

completai o que em mim

há de imperfeito

AMÉM

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