OFICINA DE ORAÇÃO – ABRIL 2017

“EU SOU O PÃO DA VIDA”

OFICINAS DE ORAÇÃO AGOSTINIANA

FSAR – MÃES MÔNICA – ARQUICONFRARIA

17 DE ABRIL 2017

 

INTRODUÇÃO

 Quando lemos o Evangelho de São João, chama a atenção o fato de que seja o único que não nos transmite as palavras da última ceia, por meio das quais Jesus institui o sacramento da Eucaristia, ao transformar o pão em seu Corpo, e o vinho em seu Sangue.

Não obstante temos o “Discurso do Pão da Vida” (Jo.6). O momento quando depois de ter multiplicado os pães, Jesus é procurado pela multidão. Jesus revela as intenções da multidão. Buscam-no não por ter visto sinais, mas porque comeram pão até saciar-se. Os judeus encontram-se ainda num nível carnal, e é preciso que o próprio Cristo os vá elevando do carnal ao espiritual.

NÃO SE BUSCA JESUS POR JESUS

Agostinho no “Discurso do Pão da Vida” ressalta dois elementos:

1. Jesus, depois da multiplicação dos pães, foge da multidão, que o buscava para proclamá-lo rei

2. No dia seguinte, ante a mesma multidão não foge e e começa a nutrir aquelas mentes, não só os seus ventres; de levá-las para além das coisas materiais.

O Bispo de Hipona convida-nos a considerar como é fácil para o ser humano limitar-se somente aos elementos materiais, que satisfazem às próprias necessidades, e esquecer-se dos elementos espirituais. Agostinho vê essa realidade na erva verde, na qual os cinco mil homens sentaram, ressoando a frase bíblica: “toda carne é erva“. {Is.)

Estas observações têm um sentido muito especial, porque o mundo vive sob ”O império dos sentidos”, e quando Deus, em muitas ocasiões, é procurado só por motivos materiais, pelo benefício terreno e corporal, que pode advir da prática religiosa.

Pela carne me procurais, não pelo espírito. Quantos são os que não procuram Jesus senão para que lhes faça um benefício temporal. Um tem um negócio, procura a intercessão dos clérigos; outro se vê oprimido por alguém mais poderoso, refugia-se na igreja. ( ) Assim, cotidianamente, a igreja se enche de tais indivíduos. Mal se procura Jesus por Jesus.

O “PÃO” PRESUPOE A FÉ

Agostinho nos oferece uma frase lapidar: crede et manducasti. {Crê, e já comeste). Assim quer indicar a importância da fé em Cristo . Ele não está falando de preparar os dentes, para tornar a comer um pão material, mas que estamos entrando no terreno da fé.

(…) que creiais naquele que ele enviou. Isso é, pois, comer o alimento que não perece, mas que permanece até a vida eterna. Para que preparas os dentes e o ventre? Crê, e já comeste.

Ante o tema da fé em Cristo, Agostinho observa dois elementos: 1. A fé não se pode desvincular das obras. “não quis distinguir da obra a fé, mas disse que a própria fé é obra.” Uma obra feita sem fé não tem valor salvífico. Quem crê em Cristo feito Pão vivo descido do céu, deve ter obras de caridade, manifestar sua fé por meio de sua vida e de suas obras. 2. A fé é um dom. Não é que o homem realize a obra de crer, mas crer é obra de Deus. A Eucaristia é o compromisso de agir na perspectiva da fé, por meio da caridade.

DÁ-NOS SEMPRE DESSE PÃO

O desejo da pessoa, que transcende do pão material ao pão espiritual, é poder comer sempre do Pão de Deus, do pão que dá sentido, alegria e imortalidade. Ainda Agostinho reconhece o eco de outra passagem, as palavras da Samaritana: “Senhor, dá-me de beber dessa água”. É também um grito do ser humano que sente em seu interior um profundo desejo de felicidade, de encontro com Deus. Agostinho nos mostra que quem se acerca de Cristo tem uma saciedade eterna, porque a Eucaristia não é como o maná, pois os que o tomavam sentiam fome.

“Quem vem a mim> é o mesmo que <e quem crê em mim”; e, no tocante ao que disse: “Não terá fome”, há de entender-se: “Nunca mais terá sede”; de fato, ambas as coisas significam a saciedade eterna.

A DUPLA RESSURREIÇÃO

Santo Agostinho, comentando o texto: “E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum daqueles que ele me deu, mas os ressuscite no último dia”, observa uma dupla ressurreição. Uma primeira nesta vida, quando passamos do pecado ou da morte espiritual, causada pela soberba. A segunda é a ressurreição escatológica que acontecerá a final dos tempos.

Vede como também aqui se delineia a dupla ressurreição. Quem vem a mim, ressuscita no

mesmo instante, ao tornar-se humilde entre meus membros; mas também o ressuscitarei no

último dia, segundo a carne.

TRAZEI INOCÊNCIA AO ALTAR

Santo Agostinho ao comentar:

“Os vossos pais comeram o maná no deserto e, no entanto morreram” diz que receber o Corpo de Cristo não nos livra da morte temporal, mas sim da morte eterna, mostra-nos a importância da disposição interior, para podermos receber este sacramento, que pode dar a vida eterna, enquanto a outros ocasiona a morte eterna. Não porque o sacramento seja mau em si, mas porque há pessoas que o podem receber com má disposição.

Para corroborar estas.palavras o Bispo de Hipona cita a São Paulo: “Quem come e bebe sem distinguir devidamente o Corpo, come e bebe sua própria condenação”. Alude também às palavras do Pai-Nosso, que pede a Deus o perdão dos pecados. Por isso, Agostinho convida-nos a perdoar as ofensas recebidas, e a evitar os pecados graves, já que são um impedimento para acercar-se do sacramento.

Vede, pois, irmãos, comei espiritualmente o pão celeste, trazei inocência ao altar. Os

pecados, ainda que cotidianos, pelo menos não sejam mortíferos. Antes de acercarvos

do altar, prestai atenção ao que dizeis: <Perdoai-nos as nossas ofensas assim

como nós perdoamos a quem nos tem ofendido>”

Para Agostinho, a Eucaristia era a rocha da qual beberam os israelitas. São Pulo diz: “Bebiam de uma rocha espiritual ( … ) E essa rocha é Cristo. Ainda Agostinho vincula a Eucaristia ao mistério pascal, pois, Moisés golpeou a rocha duas vezes. E naqueles dois golpes, ele vê representados os dois madeiros da cruz, em que Cristo redimiu o mundo.

EU SOU O PÃO VIVO

“Quem comer deste pão, viverá”. Viver…

A vida é tudo. Viver é essencial para todos os Homens. Nossa vida não é vivermos de rebaixas, a satisfazer-nos com nossas pobres aspirações, envaidecendo-nos de nossas conquistas irrisórias.

Só Deus conhece verdadeiramente a Vida: seu Filho amado, saído de suas mãos, na primeira aurora do universo. Ninguém viu a Deus; só Aquele que dele procede o conhece. Ao vermos como Jesus ama a vida apaixonadamente, podemos vislumbrar, de algum modo, a paixão que Deus sente pela vida. Mas nós mumificamos Deus, ídolo adorável e venerável. Que surpresa temos ao submergir-nos na vitalidade transbordante e inesperada de nosso Deus!

“Eu sou o pão vivo”. Nós temos que comer como crentes, porque comer Jesus Cristo significa tornar-se um só com Ele, converter-se em sua própria carne e em seu próprio sangue.

Uma tarde, oferecerá este pão dando graças, para anunciar sua morte.

Assim como o pão terreno alimentou à multidão, todos têm acesso ao pão vivo descido do céu.

É UM VERDADEIRO ESCÂNDALO?

Os judeus ficaram indignados ante o que ouviram: “Como é que ele pode dar a sua carne a comer?”. Nós já não achamos estranho: mas estamos tão acostumados com essas palavras … !

O realismo das palavras de Jesus tem, todavia, motivos para desconcertar. Trata-se de pão, de carne dada comida, de sangue derramado como bebida. Trata-se de comer e até, segundo o texto original, de <mastigar>. Estamos bem longe daquele alimento que não se podia tocar com os dentes, sob pena de sacrilégio.

Nossas assembleias eucarísticas deveriam constituir, porém, verdadeiros escândalos públicos. Como é que pode ser? Sim: os homens deveriam estranhar ao ver-nos tomar o grosseiro pão de nossas vidas, da vida de todos os homens, com suas misérias e esperanças, e atrever-nos a pronunciar sobre aquelas humildes realidades, as palavras do Senhor: < Isto é o meu Corpo>.

EXERCÍCIO DE ORAÇÃO

Exercício de imaginação. Texto: João 6, 41 –  58

“As autoridades dos judeus começaram a criticar, porque Jesus tinha dito: “Eu sou o pão que desceu do céu.” E comentavam: “Esse Jesus não é o filho de José? Nós conhecemos o pai e a mãe dele. Como é que ele diz que desceu do céu?” Jesus respondeu: “Parem de criticar”.

Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrai, e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos Profetas: “Todos os homens serão instruídos por Deus”. Todo aquele que escuta o Pai e recebe sua instrução vem a mim. Não que alguém já tenha visto o Pai.

O único que viu o Pai é aquele que vem de Deus. Eu garanto a vocês: quem acredita possui a vida eterna. Eu sou o pão da vida. Os pais de vocês comeram o maná no deserto e, no entanto, morreram.

Eis aqui o pão que desceu do céu: quem dele comer nunca morrerá. E Jesus continuou: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem come deste pão viverá para sempre. E o pão que eu vou dar é a minha própria carne, para que o mundo tenha a vida.

PISTAS PARA MEDITAÇÃO

– O que lhe chamou a atenção no Evangelho?

– Jesus é uma necessidade vital para mim?

– Você busca Jesus por Jesus ou o busca por interesses egoístas?

– Jesus sacia plenamente à multidão. Você, quando é procurado para dar um conselho, um discernimento, acha que sacia plenamente o desejo do outro?

– Você recebe a Eucaristia, mas está acompanhada da fé e das boas obras?

– Que preparação você tem para receber a Eucaristia?

– Você observa que a Eucaristia é vital e necessária para a tua vida espiritual?

– O que significa para você: “Trazei inocência ao altar’?

– Assim como o alimento corporal é assimilado pelo teu corpo, o mesmo acontece quando recebes o Corpo de Cristo.

– Interpreta as palavras do Papa Francisco: “A Eucaristia é o alimento dos fracos e não dos fortes”.

– Como observas que a virtude da humildade está unida à Eucaristia?

CONCLUINDO A ORAÇÃO

– Os que desejarem, podem fazer uma BREVE ORAÇÃO em voz alta.

– Os que desejarem, podem elevar a Deus uma breve jaculatória

BÊNÇÃO E DESPEDIDA

– Reza-se: Orando com Santo Agostinho

– Formando um círculo, de mãos dadas, reza-se o PAI-NOSSO

-O sacerdote dá a bênção.

ORANDO COM SANTO AGOSTINHO

Deus, de quem não se pode separar sem cair,

a quem não se retorna,sem se reerguer;

permanecer em ti é ter sólido apoio,

afastar-se de ti é morrer,

retornar a ti é reviver,

habitar em ti é viver.

Deus, a quem ninguém perde,

a não ser enganado,

que ninguém procura,

sem prévio chamado,

a quem ninguém encontra,

sem primeiro ter sido purificado …

Deus, cujo abandono equivale à morte,

a procura ao amor,

a visão à plena posse!

Deus, a quem a fé nos impele,

a esperança nos orienta,

e com quem a caridade nos une!

Deus, por quem triunfamos do inimigo,

é a ti que eu dirijo

a minha prece.

“\ Deus, a quem devemos ou não

nos perder completamente.

Amém.

 

 

 

 

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