Oficina de Oração – Maio 2017

 

 

 

 

 

 

 

 

A EUCARISTIA EDIFICA A IGREJA

O Concílio Vaticano II veio recordar que a celebração eucarística está no centro do processo de crescimento da Igreja. De fato, depois de afirmar que a Igreja, ou seja, o Reino de Cristo já presente em mistério, cresce visivelmente no mundo pelo poder de Deus, querendo de algum modo responder à questão sobre o modo como cresce, acrescenta: “Sempre que no altar se celebra o sacrifício da cruz, no qual Cristo, nossa Páscoa, foi imolado”, realiza-se também a obra de nossa redenção. Pelo sacramento do pão eucarístico, ao mesmo tempo é representada e se realiza a unidade dos fiéis, que constituem um só corpo em Cristo. (“A Igreja vive da Eucaristia”. São João P. II).

A EUCARISTIA NÃO É ANTROPOFAGIA

Agostinho não pode deixar de constatar, por um lado, o escândalo dos judeus ante as palavras do Senhor, mas, por outro lado, observa também que estes se escandalizaram porque não entenderam o que Jesus dizia. Eles captaram e interpretaram carnalmente a afirmação de Cristo, a respeito de comer sua carne. Cristo não os estava a convidar, como eles criam, a um ato de antropofagia, mas a um ato de teofagia, não a comer sua carne em sentido material, mas num sentido espiritual.Agostinho observa também que, naquela época, a Eucaristia não era compreendido por todos por causa do “Segredo do arcano”. Só os iniciados e batizados podiam conhecer o que era a Eucaristia. Agostinho diz que os fiéis, os batizados já conhecem o Corpo do Senhor, mas, para que possam vivê-lo em plenitude, devem continuar sendo Corpo de Cristo.

“Por certo, horrorizam-se diante disso, disseram que era demais para eles, supuseram que não pudesse acontecer tal coisa. <É minha carne, ele diz dada para a vida do mundo>. Os fiéis conhecem o Corpo de Cristo, se não se descuidam de ser Corpo de Cristo”

SACRAMENTO DE PIEDADE

A Eucaristia é sacramento de piedade porque nele se celebra nossa fé, porque é para nós fonte de vida no espírito, anima nossa caminhada ao encontro do Pai, e faz mais íntima e mais forte o nosso relacionamento com Cristo.

“Tenho vos recomendado um sacramento (a Eucaristia) que entendido espiritualmente vos vivificará. Daí que, embora seja necessário celebrá-la visivelmente, convém, no entanto, entendê-lo invisivelmente”.

Não podemos ficar olhando o que vemos:(gestos, palavras, vinho, pão). É necessário ver com os olhos da fé e do coração o que encerra: o amor de Jesus compartido e generoso; a recordação sempre renovada de sua morte e ressurreição.

Quem de este sacramento se aproxima, encontra sempre um hálito forte de vida.

Quem vai a esta fonte de água viva, nunca mais terá sede.

O profeta Elias necessitou de pão para sobreviver. A Eucaristia é para nós “o pão para o caminho”. Assim, como os discípulos de Emaús, nós reconhecemos Jesus ao partir o pão, quando fazemos refeição com aquele que caminha conosco.

“Tudo depende da fome que sintamos, e a atitude com que vamos ao encontro deste pão. Os judeus se acercaram de Cristo, mas para crucificá-lo. Acerquemo-nos para receber seu corpo e sangue. Eles, crucificando o Cristo, permaneceram nas trevas; nós, comendo e bebendo ao crucificado, somos iluminados”.

SINAL DE UNIDADE

Agostinho expressa que a Eucaristia é a melhor forma para alcançar e viver a unidade, entre todos aqueles que dela participam, e com toda Igreja.

“Nós somos muitos, porém, formamos um só pão, um só corpo. Esse pão nos indica como deveis amar a unidade. Por acaso, este pão está feito de um só grão? Não eram, talvez, muitos grãos de trigo? Porém, antes de converter-se em pão, estavam separados; se uniram mediante a água, depois de terem sido triturados. Se o trigo não é moído e amassado com água, nunca poderá converter-se nisto que chamamos pão. O mesmo acontece convosco. Mediante a humilhação do jejum e o rito do exorcismo, haveis sido moídos e haveis sido amassados com a água do batismo, para converter-vos em pão”.

Agostinho apresenta a Eucaristia desde a plenitude de Cristo. Quer dizer, contempla o Senhor como cabeça e a Igreja como seu corpo. É o “Cristo total” que se faz presente na Eucaristia. Eucaristia e Igreja já são inseparáveis.

Daí que comungando o Corpo de Senhor entra-se em comunhão com toda a Igreja, que é seu corpo. Quem não comunga com o corpo de Cristo (Igreja) não constrói a unidade.

Durante muitos séculos insistiu-se na Eucaristia, como presença real de Cristo, como alimento da alma, como um sacramento que é unicamente útil para quem o recebe, sem nenhuma conotação comunitária. Não podemos esquecer a dimensão comunitária que nasce da “comunhão”, ao sermos, todos os que comungamos, membros do corpo que é a Igreja. Assim, como os membros do nosso corpo, não vivem desunidos, mas ensamblados, todos os que comungam dever viver na unidade.

A Eucaristia nos une a Cristo, à Trindade, à Igreja, e também a todos os homens. Se nós somos o pão de Cristo, não podemos esquecer que, cada grão (cada homem) é diferente do outro, mas quando o pão se torna Eucaristia, os grãos se juntam. Assim, nós que comungamos devemos viver unidos.

VÍNCULO DA CARIDADE

Este pensamento é fruto do conceito anterior. A unidade é sinal de amor compartido.Se não fosse assim, em vez de unidade haveria um agrupamento de pessoas, associação de interesses, uma massa, uma coletividade sem senso de unidade.

Mas, se esses agrupamentos, coletividades etc. vivem o ingrediente do amor, que tudo penetra, que tudo invade e anima, aí se tornarão comunidades fraternas.

Comer em torno da mesma mesa, par do mesmo pão, une à família, e é expressão de um amor que se quer compartilhar. Os desconhecidos não se juntam para fazer refeição. Só comem juntos aqueles que são família, aqueles que se amam, aqueles que são amigos.

O pão eucarístico que nós tomamos é o mesmo que tomam os nossos irmãos. Se os que comem juntos o mesmo alimento são família, todos os que comungam são também família de Deus.

A Eucaristia, além de ser expressão de amor, é também fonte de mais amor. Se ao comer o Pão, se entra em comunhão íntima com Cristo, da mesma forma se entra em comunhão íntima e forte com o irmão Agostinho nos convida, através da caridade, que sejamos membros sãos e belos, evitando e enfermidade e a deformidade que o pecado traz.

“Não tenha horror à juntura dos membros, não seja um membro podre que mereça ser amputado, não seja um membro deforme, do qual se tenha vergonha; seja belo, seja proporcionado, seja são, adira-se ao Corpo; viva de Deus para Deus.Fatigue-se agora na terra, para que depois reine no céu”.

A caridade que brota da Eucaristia pode ter muitos nomes: solidariedade com os mais fracos, perdão a quem o pede, acolhida ao irmão, serviço a quem o necessita, compaixão com o que sofre, luta pela paz, etc.

“Mas, como poderás receber o que se oferece, se tens a mão ocupada e não queres abri-la ao amor? Examine cada um sua própria vida e veja se brota do manancial do amor, se os ramos de suas boas obras nascem da raiz da caridade”.

EXERCÍCIO DE ORAÇÃO

Exercício de imaginação. Texto: Sacramentum Caritatis 36, (Bento XVI)

Cristo inteiro: cabeça e corpo

A beleza intrínseca da liturgia tem, como sujeito próprio, Cristo ressuscitado e glorificado no Espírito Santo, que inclui a Igreja na sua ação. Nesta perspectiva, é muito sugestivo recordar as palavras de Santo Agostinho que descrevem, de modo eficaz, esta dinâmica de fé própria da Eucaristia; referindo-se precisamente ao mistério eucarístico, o grande santo de Hipona põe em evidência como o próprio Cristo nos assimila a Si mesmo:« O pão que vedes sobre o altar, santificado com a palavra de Deus, é o corpo de Cristo. O cálice, ou melhor, aquilo que o cálice contém, santificado com as palavras de Deus, é sangue de Cristo. Com estes [sinais], Cristo Senhor quis confiar-nos o seu corpo e o seu sangue, que derramou por nós para a remissão dos pecados. Se os recebestes bem, vós mesmos sois Aquele que recebestes». Assim,« tomamo-nos não apenas cristãos, mas o próprio Cristo». Nisto podemos contemplar a ação misteriosa de Deus, que inclui a unidade profunda entre nós e o Senhor Jesus:« De fato, não se pode crer que Cristo esteja na cabeça sem estar também no corpo, pois Ele está todo inteiro na cabeça e no corpo (Christus totus in capite et incorpore)».

PISTAS PARA MEDITAÇÃO

– Reflete ••. Se pode ser bom cristão sem receber a Eucaristia?

– Você observa que a Eucaristia é fonte de vida? Por que?

– Você é dado a pensar que tal pessoa não deveria comungar?

– Antes de comungar você indaga a situação da sua alma?

– Medita como a Eucaristia é um gesto de amor por nós.

– Entendes bem por que a Eucaristia é sinal de unidade?

– A tua comunhão é intimista ou te ajuda a viver a dimensão comunitária?

– Por que os que comungam dever ser uma família?

– Medita nas palavras de Santo Agostinho: “Se o recebestes bem1 vós mesmo sois aquilo que recebestes11

CONCLUINDO A ORAÇÃO

– Os que desejarem, podem fazer uma BREVE ORAÇÃO em voz alta.

– Os que desejaram, podem elevar a Deus uma BREVE jaculatória.

BÊNÇÃO E DESPEDIDA

– Reza- se: Orando com Santo Agostinho.

– Formando um círculo, de mãos dadas, reza-se o PAI-NOSSO.

– O sacerdote dá a bênção.

ORANDO COM SANTO AGOSTINHO

Oh, sacramento de piedade!

Oh, sinal de unidade!

Oh, vínculo de caridade!

Quem quer viver, tem onde viver,

tem de que viver.

Acercar-me-ei e acreditarei;

Incorporar-me-ei para ser vivificado.

Que eu não seja um membro

separado do organismo,

nem um membro enfermo,

que necessita ser cortado,

mas um membro bem formado.

são e bem unido ao corpo,

e viva de ti e por ti.

Inebria-me, Senhor,

da abundância de tuas delícias.

Porque em ti está a fonte da vida,

faz que me aproxime e me nutra,

embora seja como um ser

mendigo, débil, inválido e cego.

Amém.

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