Cristo se oferece em alimento todos os dias

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (A)
Jo 6, 51-59: Homilia de Santo Agostinho (Sermão 132, 1, 1)

 

 

 

«Conforme escutamos, ao ser lido o santo Evangelho, o Senhor Jesus Cristo exortou a comer sua carne e a beber seu sangue, com a promessa da vida eterna. Nem todos os que escutastes essas palavras entendestes ainda. Os que sois batizados e fiéis sabeis, de fato, o que ele disse. Por outro lado, os que dentre vós são ainda chamados de catecúmenos ou ouvintes, puderam ouvir o que se lia, mas acaso o entendem? Logo, nossa palavra dirige-se a ambos.

Os que já comem a carne do Senhor, e bebem seu sangue, pensem bem no que comem e no que bebem: não aconteça que, como adverte o Apóstolo, comam e bebam sua própria condenação (1Cor 11, 29). Os que ainda não comem nem bebem, por sua vez, apressem-se em acorrer ao banquete a que foram convidados. Nestes dias, os mestres oferecem alimentos; Cristo alimenta todos os dias: sua mesa é a que foi colocada no meio.

Qual é a razão, ó ouvintes, de que vejais a mesa e não acorrais ao banquete? E talvez agora há pouco, enquanto se lia o Evangelho, vos tenhais dito em vossos corações: Pensamos em que pode significar aquilo que ele diz: A minha carne é verdadeira comida e o meu sangre, verdadeira bebida (Jo 6, 56)? Como se come a carne do Senhor e como se bebe o sangue do Senhor? Pensamos bem no que se diz? Quem te ocultou o sentido de tais palavras para que o continues a ignorar? Está oculto. Se quiseres, porém, ser-te-á revelado. Aproxima-te da profissão e resolverás a questão. O que o Senhor Jesus disse, os fiéis já sabem. És chamado catecúmeno, ou ouvinte, e permaneces surdo. Com efeito, tens abertos os ouvidos do corpo, porque ouves as palavras que foram ditas, mas tens ainda fechados os ouvidos do coração, pois não entendes o que se disse».

(Trad. de Luciano Rouanet, oar)

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