Oficina de Oração Agostiniana – Junho

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

Jesus disse: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”. O mundo e cada pessoa necessitam de luz, porque vivem envoltos nas trevas, pela sua condição humana e pecadora. Jesus é o único capaz de tirar das trevas, ao mundo e ao homem, de uma situação espiritual degradante, por causa da escuridão de seu coração.

A maioria das pessoas vive num mundo religioso descrente, porque antepõe sua opinião, como base de seu bem-estar. Esta escuridão espiritual é manifestada pela independência da criatura com o Criador, pelo esquecimento de Deus que, para muitos, não é necessário nem útil na vida humana, por causa da supervalorização da liberdade do homem.

Cristo é a única luz. Não existe outra. A luz que o ser humano tem, é recebido de Deus, assim como a luz da lua é recebida do sol. O homem não pode se gabar de sua luz e seu brilho.

 

A CEGUEIRA DO CORAÇÃO 

Agostinho convida-nos a reconhecer em Cristo a luz que nos ilumina e nos salva. Chama-nos a seguir Cristo para podermos alcançar a recompensa eterna, com a consciência de que, para poder seguir Cristo, é preciso levar a cabo um trabalho de conversão profunda do coração. Por outro lado, o motivo da luz leva Agostinho a recordar a cegueira do coração,

 

 

“BIBE ET VIVE” (BEBE E VIVE)

Agostinho começa por indicar-nos que Cristo não é uma luz material, como diziam os maniqueus, mas sua luz é espiritual, que traz a salvação aos homens. O brilho de sua divindade foi mitigado pela nuvem da humanidade.

“Por meio dessa Luz, foi feita a luz do sol e a Luz que fez o sol, sob o qual nos fez também a nós, foi feita sob o sol por causa de nós. Não desprezes a nuvem da carne. A Luz cobre-se com a nuvem, não para escurecer-se, mas sim para mitigar-se”.

Trata-se de uma luz que também é fonte de vida. Quem se acerca da luz de – Cristo, acerca-se da Vida, e deixai para atrás as trevas do pecado e da morte.

“Em vós está a fonte da vida, e em vossa luz contemplamos a luz” (Salmo 35).

Agostinho observa que a fonte da vida e a luz são coisas diferentes, porém, indicam a mesma realidade, porque não há vida natural e humana sem a luz. Cristo é luz da vida e fonte de vida. 

O Senhor disse aqui: <a luz da vida>. Ora, em meio a estes usos corporais, uma coisa é a luz; outra, a fonte. Não é assim em Deus: o que é luz, isto mesmo é a fonte. Quem reluz para ti, para que vejas, é o mesmo que para ti mana, para que bebas. Bebe e vive”

 

CEGOS DE NASCENÇA

Agostinho comenta que o ser humano nasceu com o pecado original, por tanto, cego espiritualmente. E precisa ser curado pelo próprio Cristo. Como exemplo, alude a Jo. 9,6, em que Jesus cura o cego de nascença. Agostinho observa que para curar esse cego, que representa a humanidade, Cristo fez um pouco de barro, co ·a sua própria saliva, e passou-o nos olhos do cego. Este gesto é interpretado por Agostinho como figura da encarnação de Cristo, que se faz homem (barro), para abrir os olhos dos homens. Ainda o santo de Hipona dirá que o homem para ver precisa do colírio da fé.

“Pois o Senhor ilumina os cegos. Somos iluminados agora, irmãos, tendo o colírio da fé. De fato, precedeu sua saliva com a terra, com que se pudesse ungir quem nasceu cego. Nós também nascemos cegos de Adão, e temos necessidade daquele que ilumina. Ele misturou saliva com a terra: a Palavra se fez carne e habitou entre nós.

 

QUEM ME SEGUE … 

Agostinho mostra que nós seguimos a Cristo. Fazemo-lo todos os dias. O prêmio, porém, é uma realidade futura, que anelamos e pedimos, para não desfalecermos no caminho.

No seguimento de cristo podemos encontrar muitos obstáculos, muitas cadeias. Agostinho nos apresenta o caso do rico do Evangelho (Me. 10, 17- 22), que andava atrás de um bom mestre, mas não estava disposto a aprender dele, aferrado como estava pelas cadeias da avareza.

 

Ouviu alguém: <vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me>. Foi-se embora triste, não seguiu. Procurou um mestre bom, interpelou um doutor e desprezou quem lhe ensinava. Foi-se =embora triste, atado por suas concupiscências; foi-se embora triste, levando sobre os ombros a grande carga da avareza.

Agostinho nos convida a refletir nas palavras de Cristo: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”. Devemos aprender do nosso Mestre interior. Viver o seu exemplo. Ser libertados de nossos pecados, ver-nos livres dos “modelos” do mundo. E ter como “modelo” o Cristo, que nos traz Luz e Vida. A libertação das nossas ataduras e cadeias, não é feita só por nós. Precisamos da ajuda de Deus. “Ele nos liberta dos grilhões da escravidão” (Salmo 115).

 

“Sigamos o Senhor! Quebremos as cadeias (compedes} que nos impedem de segui-lo. E quem é capaz de desatar tais nós, se não for ajudado por aquele a quem foi dito: <Quebrastes meus grilhões>

 

” O SEGUIMENTO DE CRISTO É UMA LUTA 

O seguimento de Cristo implica uma luta: luta externa do ser humano contra tudo aquilo que tenta afastá-lo de Deus. Luta, também, interna contra suas próprias paixões. Agostinho disse: “Se começaste a seguir a Deus, ai encontrarás um combate (rixa)”. Estas lutas não devem desanimar quem segue Cristo, sabendo que sempre contará com a ajuda daquele que é a Luz do mundo.

Os que percorreram no passado caminhos de pecado, como o próprio Santo Agostinho, são chamados a deixar seu passado para trás, e seguir Cristo, por mais que tenham ficado coxos por caminhar por caminhos tortuosas, pois, Cristo cura os coxos e dá vista aos cegos.

 

Talvez tentes andar e não consigas, porque te doem os pés. Por que estão doendo? Não será pela dureza dos caminhos que a avareza te levou a percorrer? Mas o Verbo de Deus curou também os coxos. <Eu tenho os pés sadios, respondes, mas não vejo o caminho>. Lembra-te de que Ele também deu vista aos cegos”. 

Agostinho nos convida a viver um processo de conversão, com duas palavras: soluti et erecti (expeditos e erguidos). Livres que qualquer tipo de ataduras. E sempre, erguidos, e não inclinados (no sentido de ãwõn: pecado), olhando as coisas da terra, mas com o coração posto em Deus.

 

EXERCÍCIO DE ORAÇAO

Exercício de imaginação. TEXTO: Jo. 12, 35-43 

Respondeu-lhes Jesus: Ainda por pouco tempo a luz estará em vosso meio. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos surpreendam; e quem caminha nas trevas não sabe para onde vai. 

Enquanto tendes a luz, crede na luz, e assim vos tornareis filhos da luz. Jesus disse essas coisas, retirou-se e ocultou-se longe deles. 

Embora tivesse feito tantos milagres na presença deles, não acreditavam nele. 

Assim se cumpria o oráculo do profeta Isaías: Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? 

Aliás, não podiam crer, porque outra vez disse Isaías: 

Ele cegou-lhes os olhos, endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos nem entendam com o coração e se convertam e eu os sare. 

Assim se exprimiu Isaías, quando teve a visão de sua glória e dele falou. 

Não obstante, também muitos dos chefes creram nele, mas por causa dos fariseus não o manifestavam, para não serem expulsos da sinagoga. 

Assim preferiram a glória dos homens àquela que vem de Deus.

 

PISTAS PARA MEDITAÇÃO 

– Confias em tuas forças para sair da cegueira espiritual? 

– Embora não vivendo num mundo descrente, há rotina nos teus atos de piedade? 

– Confias plenamente que Jesus é luz para ti? 

– Você faz uma profunda conversão do coração? 

– Acreditas que com tuas forças podes sair da escuridão espiritual? 

– Você quando faz o bem, espera logo a recompensa de Deus? 

– Que te sugere que para Jesus curar o cego necessitou do barro? 

– Você age pelos “modelos” do mundo ou tens a Jesus como “modelo”? 

– Quais são as tuas lutas interiores? – Quais são as tuas lutas exteriores. 

-A que grilhões você se vê amarrado? 

– Você antigamente caminhou por caminhos tortuosos?

 

 CONCLUINDO A ORACÃO 

– Os que desejarem, podem fazer uma BREVE ORAÇÃO em voz alta. 

– Os que desejarem, podem elevar a Deus uma breve jaculatória.

 

BÊNÇÃO E DESPEDIDA 

– Reza-se : Orando com santo Agostinho 

– Formando um círculo, de mãos dadas, reza-se o PAI-NOSSO. 

– O sacerdote dá a bênção.

ORANDO COM SANTO AGOSTINHO

Senhor Jesus, fonte irradiante de luz que ilumina toda pessoa que vem a este mundo, ilumina-me. Ilumina o meu coração aflito, tantas vezes cheio de mágoas, rancores e ressentimentos. Com amor misericordioso, olha-me com paciência e bondade. Que à luz da fé, eu possa ver Tuas grandes intervenções ao longo da história e em minha própria vida cotidiana. Liberta-me das trevas do pecado para que possa ver a Luz verdadeira que És Tu Jesus, Senhor da vida. Dá-me olhos novos para que eu veja novas todas as coisas. Nenhuma treva me faça indiferente à grande LUZ. O meu ato de crer em Ti, luz do mundo, me capacite cada vez mais para ser luz e, assim, iluminar as pessoas que comigo caminham diariamente. Amém 

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