OFICINA JULHO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

Jesus se revela como Bom Pastor e coloca como elemento centrar “dar a vida pelas ovelhas”. É a vida para todo aquele que queira viver, porque não há vida separada de Cristo.

O Bom Pastor conhece nossas necessidades e sofrimentos, até mais do que nós mesmos. E está disposto a curar nossas feridas e nos dar consolo: “Vinde a mim, todos que estais cansados … 11

Ele como Bom Pastor, também conhece nossos anseios, e assim entrega sua própria vida porque sabe que a necessitamos. Nele, e graças a Ele, podemos viver plenamente na terra e eternamente no Céu. Cristo nos conhece pessoalmente e Ele se preocupa por cada um de nós, como um Pastor que conhece suas ovelhas e as chama por seu nome. Cristo quando diz: “conheço as minhas ovelhas”, refere-se a um conhecimento mais profundo, que chega a ser libertador, um conhecimento que nos suscita confiança.

OS LADRÕES E ASSALTANTES

Como nos indica o texto de Evangelho que nos serve para a Oficina, “quem não entra pela porta, mas sobe ao redil por outro lugar, é um ladrão e um assaltante” (Jo.10,1). Agostinho pergunta-se, quem seriam esses ladrões, e diz que são aqueles que prometem uma felicidade sem Cristo, um mundo feliz constituído só por elementos humanos.

“Tais homens procuram1 pois, persuadir os homens a viver bem sem ser cristãos. Querem subir por outro lugar1 roubar e assassinar1 e não guardar e salvar como um pastor. ”

Certamente, Agostinho tinha em mente os estoicos de seu tempo, mas nós também poderíamos ver aí diversas filosofias ou maneiras de pensar e de viver, que pretendem alcançar uma felicidade sem Cristo, que propõem ao homem modos de viver, que deixam Cristo de lado.

“Houve, de fato, certos filósofos que, expondo muitas sutilezas sobre as virtudes e os vícios, deduzindo raciocínios agudíssimos (…) ousam dizer aos homens: <Segui-nos, aderi-vos à nossa escola, se quiserdes viver felizmente>. Não entraram, porém, pela porta: queriam destruir, aniquilar, assassinar”.

Às vezes, o cristão não remove o nome de Cristo, mas suas ideias e ações contradizem o próprio Evangelho. Que tipo de cristianismo nós vivemos? Um cristianismo que segue o Pastor até as últimas consequências ou um cristianismo com “rebaixas”, que segue aos falastrões de turno.

Quando o Pastor não é o centro do rebanho, as ovelhas ficam desorientadas, não seguem mais o bom Pastor. Muitos fiéis permitem que os ladrões e assaltantes entrem em sua vida, sendo difícil aderir ao bom Pastor.

Outros assaltantes, segundo o pensamento de Agostinho, seriam os hereges, que não entram pela porta que é Cristo, porque com seus próprios erros tergiversam o próprio mistério de Cristo. Uma visão incorreta de Cristo, faz com que as ovelhas não possam ter vida em Cristo, mas que encontram a morte em mãos de ladrões e de assaltantes, vendedores de ideias tão chamativas como falsas.

CRISTO, A PORTA HUMILDE

Cristo, além de ser o bom Pastor, se apresenta como a Porta. Para poder entrar no redil é necessário entrar pela porta. Agostinho nos fala das características desta porta. Em primeiro lugar é uma porta baixa, significando a humildade que necessitamos para entrar e sair por Cristo. Quem é soberbo não pode entrar pela porta de Cristo, no redil de Cristo.

“Humilde, com efeito, é a porta, Cristo Senhor; é preciso que se abaixe quem entrar por essa porta, para que possa entrar com a cabeça sã.”

Posteriormente, Agostinho explica o que significa “entrar e sair” por Cristo. Diz que há uma saída inconveniente do redil de Cristo, a daqueles que utilizando mal a sua liberdade, abandonam o redil de Cristo. Este redil de Cristo é para Agostinho, a Igreja.

”Sair da Igreja (…) em nenhum caso é bom. Tal saída não poderia ser louvada pelo Bom Pastor.

Trata-se como diz a 1. Carta de João: “saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos”.

Para Agostinho entrar por Cristo significa crer nele. E sair por Cristo significa expressar essa fé por meio de palavras e de obras.

“Ora, como diz o Apóstolo que Cristo habita pela fé em nossos corações, eu poderia dizer que entrar por Cristo é pensar conforme essa fé e, por outro, lado, sair por Cristo é, conforme essa fé, obrar também exteriormente, isto é, diante dos homens”.

Ainda Agostinho expressa que entrar em Cristo, durante a vida presente, é entrar na Igreja terrena. Sair é o momento da morte, quando o fiel abandona a Igreja terrena, para unir-se à Igreja celestial. Se entrando por Cristo durante a vida terrena, o fiel encontrou pastagem, quanto mais encontrará, quando pela graça e perseverança, alcançar a Igreja celeste.

“Parece-me, com efeito, que disse: para que, ao entrar, tenham vida e, ao sair, ainda mais abundantemente a tenham. Ninguém pode, por outro lado, sair pela porta, isto é, por Cristo, para a vida eterna que existirá na visão, a menos que por essa mesma porta, isto é, pelo mesmo Cristo, tenha entrado na sua Igreja, que é o seu redil, para a vida temporal que existe na fé”.

O PORTEIRO É O ESPÍRITO SANTO

Agostinho identifica o Cristo como Pastor e como Porta. E se pergunta quem é o porteiro. E afirma que o porteiro é o Espírito Santo, porque a tarefa do porteiro é que o Pastor possa entrar e sair. E também impedir que entrem os que não são de Cristo.

O papel do Espírito santo é recordar e ensinar ao fiel o que Jesus disse. E Jesus disse que ele é a Verdade.

“Considera que o Espírito Santo é, talvez, o porteiro, pois o próprio Senhor diz a seus discípulos acerca do Espírito Santo: <Ele vos ensinará toda verdade> Qual é porta? Cristo. E o que é Cristo? A Verdade. Quem abre a porta a não ser quem ensina toda a verdade?”

Agostinho nos exorta a que estejamos atentos ao que o Espírito faz, que é o Cristo entrar no redil de nossa vida e nosso coração, para poder escutar a sua voz. O Espírito Santo por meio de admonitiones (advertências ou admoestações) nos recorda as palavras de Jesus e coloca em nós as inspirações ou moções espirituais que nos revelam a vontade de Deus. O que devemos fazer e como.

Daí que as ovelhas do rebanho de Cristo são convidadas a orar para escutar. E para orar e escutar, condição indispensável é o recolhimento, um espaço de silêncio e solidão.

Insinuou-se aqui um mistério, pois cremos naquele que ainda não vemos; e ele, para não deixar-se ver, esconde-se entre a multidão. É difícil ver Cristo na multidão. Certa solidão se faz necessária ao nosso espírito. Deus é visto em meio a certa solidão da atenção”.

EXERCÍCIO DE ORAÇÃO

Exercício de imaginação. Texto: Jo. 10, 1-9

Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador.

Mas o que entra pela porta é o pastor das ovelhas.

A este o porteiro abre; e as ovelhas ouvem a sua voz; e ele chama pelo nome as suas ovelhas, e as conduz para fora.

Depois de conduzir para fora todas as que lhe pertencem, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz; mas de modo algum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.

Jesus propôs-lhes esta parábola, mas eles não entenderam o que era que lhes dizia.

Tomou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo: eu sou a porta das ovelhas.

Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.

Eu sou a porta; se alguém entrar a casa; o filho fica entrará e sairá, e achará pastagens.

PISTAS PARA MEDITAÇÃO

– Medita que Jesus é a Porta que se abre para ti.

– Temos que passar pela porta que é Cristo porque ”Se alguém passar através de mim será salvo”.

– Quem são os assaltantes, os ladrões, os lobos na tua vida espiritual?

– Como percebes que Jesus o Bom Pastor conhece as tuas necessidades e sofrimentos?

– Pensa que o Bom pastor te conhece e se preocupa por ti.

– Que significado tem que a porta das ovelhas é baixa?

– Você saiu alguma vez do aprisco?

– Na vida espiritual você está atento ao Espírito santo?

– Você observa as moções espirituais que vêm do Espírito Santo?

– Você encontra mais facilmente a Deus na multidão ou na solidão?

– Você gosta de afastar-se da multidão para orar?

CONCLUINDO A ORAÇÃO

– Os que desejarem, podem fazer uma BREVE ORAÇÃO em voz alta.

– Os que desejarem, podem elevar a Deus uma breve jaculatória.

BÊNÇÃO E DESPEDIDA

 

– Reza-se: Orando com Santo Agostinho.

– Formando um círculo, de mãos dadas, reza-se o PAI- NOSSO.

– O sacerdote dá a bênção.

 

ORANDO COM SANTO AGOSTINHO

Tu também Pai misericordioso,

sentes mais alegria,

por um pecador que se converte,

do que noventa e nove justos

que não precisam de conversão.

E é grande a nossa alegria

cada vez que ouvimos falar

sobre a alegria do pastor

que reconduz nos ombros

a ovelha desgarrada

ou da mulher que,

encontrando a dracma perdida,

a coloca nos seus cofres,

em meio à alegria das vizinhança.

E ainda arranca lágrimas de alegria

a festa que se faz em tua casa

quando lemos a narração

do teu filho menor

que era morto e retornou a viver,

que estava perdido

e foi encontrado.

Tu te regozijas em nós

e em teus anjos,

que são santificados

por um amor santo.

Tu és sempre o mesmo.

Amém.

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