Este é o meu Filho amado

Batismo do Senhor (B)
Mc 1, 6-11: Homilia de Santo Agostinho (S. 52, 1, 1)

«Vemos, pois, e contemplamos, como se de um espetáculo divino diante de nós se tratasse, que junto ao rio Jordão, apresenta-se a nós o nosso Deus na Trindade. Tendo chegado Jesus àquele lugar e tendo sido batizado por João, o Senhor foi batizado pelo servo – coisa que fez como exemplo de humildade, daquela humildade, precisamente, na qual ele nos mostra que a justiça é cumprida, quando, ao dizer-lhe João: Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? Respondeu: Por enquanto, deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça (Mt 3, 14-15).

Tendo sido batizado, abriram-se os céus e desceu sobre Ele o Espírito Santo, em forma de pomba; depois, ouviu-se uma voz do alto: Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado (ib. 17). Temos, pois, de certa maneira, uma Trindade distinta: na voz, temos o Pai; no homem, o Filho; na pomba, o Espírito Santo. Era necessário, na verdade, recordar isso, porque é muito fácil vê-lo. De um modo evidente e sem embaraço algum de dúvida, é mostrada essa Trindade.

O próprio Cristo Senhor que, na forma de servo, se aproxima de João, é certamente o Filho: com efeito, não se pode dizer que seja o Pai, nem que seja o Espírito Santo. Jesus veio, diz o texto (ib. 13): certamente é o Filho de Deus. Quem duvidará da pomba? Haverá alguém que pergunte ‘quem é a pomba? ’, quando o próprio Evangelho testemunha clarissimamente: O Espírito Santo desceu, como pomba, sobre Ele (cf. ib. 16; Mc 1, 11)? Do mesmo modo, não haja qualquer dúvida quanto a ser aquela a voz do Pai, já que diz: Tu és o meu Filho (Mc 1, 11; Lc 3, 22). Temos, portanto, uma Trindade distinta».

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