São Nicolau de Tolentino

CONTEXTO HISTÓRICO

O que aconteceu entre 1245 e 1305? As influências de São Domingos, Santa Clara e São Francisco de Assis são recentes. Fazem poucos anos que eles morreram. Mas nesta época nasceu e viveu Santo Tomás de Aquino, mestre intelectual da fé. Com Tomás de Aquino o pensamento racional se firma com grande vigor. Por outro lado, Dominicanos, Clarissas e Franciscanos trazem o apelo de santidade através da pobreza e da fé. São Boaventura chega a dizer que Santo Tomás “está tentando pôr a água da razão no vinho puro da sabedoria divina”. Ao saber disso Santo Tomás retruca: “Já em Caná, a água foi transformada em vinho”. Razão e fé andam lado a lado.
Enquanto os debates intelectuais se sucedem São Nicolau de Tolentino vive sua fé com intensidade, aliando a ela oração, jejum e uma compaixão sem medida pelos pobres e sofredores.

O SANTO
São Nicolau de Tolentino nasceu na cidade de Castelo de Santo Ângelo, comuna italiana da região do Lácio, província de Rieti, no ano de 1245. Aos quatorzes anos foi viver com os agostinianos de Castelo de Santo Ângelo, como oblato, isto é, sem fazer os votos perpétuos. Mais tarde ingressou na Ordem e foi ordenado sacerdote em 1274.

Suas pregações e conselhos cativavam pelo confiança na Providência Divina. Ele vivia o que pregava e pregava o que vivia. Isso lhe dava um imenso poder de persuasão, pois sua vida era sempre um testemunho verdadeiro da fé cristã. Praticava severas penitências. Testemunhos de seus irmãos de convento nos informam que em quatro dias da semana seu alimento consistia em pão e água e nos três dias restantes nunca tocava em alimentos substanciosos, como carne, ovos, laticínios ou frutas. Reduzia o sono a três ou quatro horas para dedicar o resto da noite à oração.

Uma vez muito doente ele teve uma visão da Virgem Maria, Santo Agostinho e Santa Mônica.
Eles disseram a ele para comer certo tipo de pãozinho mergulhado em água benta.
Curado, ele começou a curar outros administrando o pãozinho e orando preces a Virgem Maria.
Os pãezinhos passaram a se chamar “Os pães de São Nicolas” e ainda são distribuídos em seu Santuário.

Recebeu visões inclusive imagens do Purgatório e fazia jejuns de longa duração pelas as almas do Purgatório.
Ele tinha uma grande devoção aos recém falecidos, pregando e orando para as almas do Purgatório.

Em 1275, sua saúde inspirava cuidados. Muito debilitado ele foi morar no Convento de Tolentino. Durante trinta anos tornou-se apóstolo do confessionário, atraindo pessoas de diversos lugares, que vinham atrás de seus conselhos e de sua santidade. Lá viveu até morrer em 10 de setembro de 1305.

Foi enterrado na sepultura da capela onde se tornara célebre confessor e celebrava suas missas. Sua sepultura se transformou em local de peregrinação. Diversos milagres passam a ser atribuídos a ele. No ano de 1446, são Nicolau de Tolentino foi finalmente canonizado pelo papa Eugênio IV.

Há informações de que, quarenta anos após sua morte, seu corpo foi encontrado ainda em total estado de conservação. Na ocasião, durante os exames, começou a jorrar sangue dos seus braços. Mesmo depois de muitos anos, os ferimentos sangravam de tempos em tempos. Frei Pedro de Monte Rubiano foi um de seus biógrafos. Ele conta uma série de experiências místicas e de fatos prodigiosos, em parte confirmados no processo de canonização. Este processo foi iniciado vinte anos após sua morte e concluído em 1446, no qual foram declarados autênticos trezentos e um milagres.